









Nós estamos vivendo tempos muito semelhantes aos tempos de Elias. Voltando os nossos olhos para a Bíblia, podemos perceber que a sociedade de hoje está muito parecida com a sociedade dos tempos do profeta. A corrupção tem aumentado, a religiosidade tem contaminado a muitos, as pessoas têm sido enganadas, os padrões morais têm caído, o relacionamento com Deus tem se deteriorado, a miséria tem aumentado, a educação tem decaído, enfim, o mal tem dominado. Naquela situação, Deus buscou e encontrou um homem que sacudiu os alicerces do seu tempo: a história não foi a mesma depois de Elias! Mas onde estão os homens e as mulheres que irão sacudir a sociedade de hoje? Onde se encontram as pessoas que Deus busca? Onde estão os “Elias” de Deus? Deus está, hoje, convocando os “Elias” para intervirem na história.
Quando Deus levanta Elias?
Em I Reis 17.1 nós temos uma referência da época em que Deus levanta Elias. A primeira palavra desse texto é “Então”. Esse “então” é muito elucidativo e esclarecedor; ele foi colocado aí para ligar dois momentos históricos que formam uma seqüência, e mais: o segundo momento histórico surgiu para mudar o primeiro momento. A sociedade estava andando em uma direção; então chegou Elias e a sociedade começou a andar em outra direção. Mas como estava a sociedade antes de Elias? Como era a época em que Elias surgiu? Aliás, em que épocas surgem os “Elias” de Deus?
Lendo I Reis 16.29-34, nós podemos ver que a sociedade era um reflexo do Rei. Naquele tempo, o rei era a figura máxima dentro da sociedade; as pessoas o olhavam e sempre o viam como o único favorecido de Deus, ou como a personificação do próprio Deus. Dessa maneira, tudo o que o rei fazia a sociedade copiava; tudo o que ele dizia a sociedade realizava. Portanto, se o rei se afastava de Deus, toda a sociedade assim procedia; se o rei caía na idolatria, todos iam atrás. A Bíblia diz que o rei Acabe fez o que era mau perante o Senhor, e assim podemos concluir que toda a sociedade estava fazendo o mesmo porque seus atos eram o reflexo dos atos do rei. Se Deus é a referência de todas as coisas boas, Acabe e toda a sociedade estavam fazendo exatamente o oposto daquilo que é ensinado por Deus.
Não existe um rei instituído hoje no Brasil, mas existe uma mídia que, poderosa e sutilmente, tem influenciado as pessoas. Além do mais, existe um pensamento perverso envolvendo toda a sociedade, instigando e influenciando as pessoas a viverem fora dos padrões de Deus. Enquanto Deus diz sim para o casamento, a mídia transmite idéias falsas sobre o relacionamento e é absolutamente permissiva quanto ao sexo antes do casamento. Enquanto Deus diz sim para as roupas decentes, o pensamento perverso dessa era instiga homens e mulheres a se vestirem cheios de sensualidade e provocação. Deus diz sim para a honestidade, mas a sociedade diz sim para a esperteza e astúcia; Deus diz sim para o amor, mas o pensamento desse século diz sim para o interesse.
Lendo os versículos 31 a 33, vemos o sincretismo, a combinação de diversas crenças. O povo de Israel tradicionalmente adorava a Iavé, a Deus. Contudo, com o passar dos tempos, o povo de Israel começou a se deixar influenciar pelas religiões dos povos que estavam ao seu redor e, pouco a pouco, foi absorvendo das suas tradições. Isso se tornou mais evidente quando aconteceu o casamento entre Acabe e Jezabel. Para satisfazer a religião da esposa e conseguir apoio político, Acabe levantou um altar a Baal e o adorou. Com isso, as leis e os valores de Deus começaram a se misturar e ser influenciados pelas leis e valores de Baal, até que foi deixando de existir a verdade de Deus. Na sociedade de hoje está acontecendo o mesmo, com uma política diabólica de tolerância na fé. As pessoas têm negociado com a verdade em nome de um pseudo-amor. “Todos os caminhos levam a Deus; afinal, Ele é um só”, dizem. Então, abrem as portas da Igreja para todo o tipo de prática pagã e mundana.
No versículo 34, vemos que a sociedade estava desafiando a Palavra de Deus. Quando Israel entrou na Terra Prometida, a primeira cidade que conquistaram além do Jordão foi Jericó. No dia em que essa cidade foi destruída, Josué, inspirado pelo Senhor, proferiu a maldição contra todo aquele que tentasse reconstruir a cidade (Josué 6.26). Mas Hiel, o betelita, não quis dar ouvidos ao que Deus havia falado; antes, ele decidiu reedificar a cidade. O ato de Hiel era um reflexo dos atos da sociedade de um modo geral; sinal disso era a injustiça, o mal e a idolatria dentro da mesma. E a sociedade de hoje faz a mesma coisa. São muitos os que abertamente afirmam: “a Palavra de Deus é uma mentira.” Outros abertamente desprezam a Deus e adoram a Satanás. É impressionante e terrível, ao mesmo tempo, o crescimento e o avanço da bruxaria, do satanismo e outros cultos ao diabo que têm sido divulgados em todo o mundo.
Quem é Elias?
Lendo o texto de I Reis 17.1 nós vemos alguns traços dos “Elias” de Deus:
São homens dependentes de Deus - Elias não era um homem que confiava na própria força, perspicácia ou sabedoria. Antes, como ele mesmo se define, ele era alguém que vivia perante a face de Deus. Da mesma maneira como precisava de ar para respirar, ele precisava de Deus. A preocupação de Elias não era a comida para comer, a roupa para vestir, a casa para morar, dinheiro para ganhar ou gente para conversar; era Deus. Ele poderia ficar sem tudo, e ainda sobreviveria; mas se perdesse a percepção da presença de Deus, ele não suportaria. Ele era aquele homem que conversava com Deus e que O ouvia antes de agir, e não se deixava levar pelas pessoas, modismos, pensamentos ou vaidade. Esse era o seu apoio: o relacionamento com Deus.
Por isso, a sociedade podia estar caótica, com as pessoas fazendo o que era mau, sendo influenciadas para cometerem erros e aceitando o sincretismo, mas Elias permanecia firme. Ele se relacionava com Deus e sabia ouvir a Sua voz, e por isso não se deixava enganar.
São homens ousados - Elias tinha coragem de se aproximar do rei de todo o Israel e dizer verdades, de confrontá-lo cara a cara. Elias havia ouvido a Deus, e Deus o havia enviado. Quem era o rei de todo o Israel diante do Rei de todo o universo? E não somente isso: porque andava com Deus, conhecia a Deus e sabia o que Deus queria, Elias profetizava o que aos olhos dos homens parecia impossível de acontecer. Ele disse: “Segundo a minha palavra, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos” (I Reis 17.1). Mesmo sabendo que a pena para os que profetizassem mentiras era a morte, ele profetizava o controle até sobre as forças da natureza!
Elias assim agia porque se apoiava em Deus e não temia nem pessoa nem circunstância alguma. Elias se apoiava em Deus e sabia que a sua vida estava em Suas mãos. Era o próprio Deus quem cuidava das necessidades de Elias; ele não dependia de mais ninguém e, por isso, ele era ousado diante de Deus.
A voz profética – uma geração que marca
“Porque todos podereis profetizar, um após o outro, para todos aprenderem e serem consolados” (I Co 14.31).
Nem todo o que profetiza é profeta e tem o dom de profeta; o profeta possui um dom específico para realizar uma tarefa dada por Deus. Mas aqui abordaremos a orientação bíblica que apresenta a todas as pessoas a possibilidade de andar profeticamente. É importante ressaltar que Paulo não está imediatamente denominando todos os membros como profetas, mas a orientação de Paulo não exclui qualquer pessoa da igreja; ele não diz que apenas os “profetas” podem profetizar. Além disso, a Bíblia também encoraja todas as pessoas a procurarem com zelo os dons espirituais, “(...) mas principalmente que profetizem” (I Co 14.1). Essa intensidade na exortação existe porque Paulo sabe que os dons não são um incremento opcional para a igreja; são, sim, habilidades espirituais dadas por Deus para que o seu Reino possa manifestar-se. Paulo não se refere à uma busca relaxada ou esporádica; ele diz que a busca deve ser intensa e constante, feita com zelo e ardor.
Contudo, muitas pessoas imaginam que profecia é tão somente predizer um acontecimento futuro. De fato, isso também pode fazer parte da profecia, mas não é tudo. Em I Co 14.3, lemos: “Mas o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando” – ou seja, fortalecendo, encorajando e confortando. Com palavras bem simples, profetizar é “ouvir” o que Deus está falando e dizer o que se ouviu, tendo o objetivo de fortalecer, encorajar ou confortar alguém.
A Bíblia nos apresenta alguns dons espirituais que estão incluídos na profecia. Esse texto diz: “Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra de sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra de conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las” (I Co 12.8-10). Os dons incluídos na profecia são a palavra de sabedoria, a palavra de conhecimento, o discernimento de espíritos e o próprio dom da profecia.
Uma palavra de conhecimento é um fato específico sobre uma pessoa, um lugar ou um acontecimento que não foi obtido por meios naturais: o nome de alguém, sua ocupação, seu lugar de nascimento, seu dia de aniversário, detalhes da sua vida passada ou qualquer outra informação. Um exemplo das Escrituras é encontrado em João 4.16-19: “Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e vem cá. Ao que lhe respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Bem disseste, não tenho marido; porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isso disseste com verdade. Senhor – disse-lhe a mulher – vejo que tu és profeta”. Jesus, que nunca tinha se encontrado antes com aquela mulher, recebeu uma palavra de conhecimento sobre a vida dela e ela reconhece que a graça de Deus estava sobre Jesus, dizendo: “Senhor, vejo que tu és profeta”. Paulo destacou que esse reconhecimento é muito importante: “Porém, se todos profetizarem, e entrar algum incrédulo ou indouto, é ele por todos convencido e por todos julgado; tornam-se-lhe manifestos os segredos do coração, e, assim, prostrando-se com a face em terra, adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de fato, no meio de vós” (I Co 14.24,25) Esse é o poder que potencialmente se acha numa palavra de conhecimento.
A palavra de sabedoria é uma revelação divina da vontade, do plano ou do propósito de Deus para uma situação específica. Ela difere da palavra de conhecimento em vários aspectos. A palavra de sabedoria pode não causar o mesmo impacto que uma palavra de conhecimento, mas sua necessidade pode ser maior, já que ela é diretiva por natureza, por conter uma percepção profética quanto ao que fazer numa dada situação. Em Atos 27 encontramos um bom exemplo operado através de Paulo. Antes de prosseguir naquela viagem de navio, Deus lhe havia dado a impressão de que não deveriam fazê-lo, porque a viagem seria trabalhosa (v.10). Quando o navio ficou em perigo, Paulo recebeu a visita de um anjo que lhe prometeu a proteção de todos os que estavam a bordo (v.22). Na hora em que a tempestade começou a ameaçar suas vidas, os marinheiros tentaram arriar o bote salva-vidas, mas Paulo lhes disse que se fizessem isso eles não seriam salvos (vv.30,31). Eles foram convencidos disso e, por fim, todos foram salvos. Nessa palavra de sabedoria houve a revelação do plano de Deus para aqueles marinheiros, com a orientação sobre o que eles deveriam fazer.
No discernimento de espíritos, a palavra discernir significa “distinguir entre duas ou mais coisas”. A palavra “espírito” pode ter qualquer um dos seguintes significados nas Escrituras: anjo, demônio, espírito humano, Espírito Santo, unções ou pode referir-se à influência motivadora de uma pessoa. Muitos foram ensinados que o discernimento de espíritos é a condição de poder determinar se alguém tem um problema demoníaco. Este é apenas um aspecto deste dom; ele também identifica dons espirituais e chamados, ou funciona como uma palavra de conhecimento na cura, na identificação de atividades angelicais, na situação em que se encontra o coração de alguém ou ainda na determinação de qual é o específico propósito da atuação de Deus em uma reunião. Podemos ver um exemplo em Atos 16.17,18, quando Paulo se encontrou com uma jovem que aparentemente falava a verdade: “Seguindo a Paulo e a nós, clamava dizendo: Estes homens são servos do Deus Altíssimo e vos anunciam o caminho da salvação. Isto se repetia por muitos dias. Então Paulo, já indignado, voltando-se, disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, eu te mando: “Retira-te dela”. E ele na mesma hora saiu”. Embora o que ela dizia estivesse certo, Paulo discerniu que ela tinha um espírito de adivinhação (v.16); ela não falava pelo Espírito Santo, mas por um espírito demoníaco. E Paulo perturbou-se em seu espírito.
Contudo, como receber esses dons, distinguir a voz de Deus e perceber que ele está falando? De fato, Deus geralmente não nos fala com uma voz audível. Às vezes, aos nossos olhos Deus nos fala de um modo bastante estranho, mas a Bíblia nos relata diversas formas distintas.
“Pelo contrário, Deus fala de um modo, sim, de dois modos, mas o homem não atenta para isso. Em sonho ou em visão de noite, quando cai sono profundo sobre os homens, quando adormecem na cama, então, lhes abre os ouvidos e lhes sela a sua instrução, para apartar o homem do seu desígnio e livrá-lo da soberba” (Jó 33.14-17).
“Ouvi agora as minhas palavras: se entre vós há profeta, eu, o Senhor, em visão, a ele, me faço conhecer ou falo com ele em sonhos. Não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente, e não por enigmas” (Nm 12.6-8).
Deus tem um propósito para decidir falar assim às pessoas: No texto do livro de Jó lemos que Deus quer livrar-nos da soberba, afastando-nos da rotina mundana da nossa vida para buscá-lO e, assim, nos fazendo depender dEle.
Outra maneira das mais comuns por meio do qual Deus fala são as impressões proféticas. Quase todos os cristãos estão ouvindo Deus falar através de impressões, mas devido à ignorância geral que há na igreja sobre os dons de revelação, muitos as tomam como pensamentos vagos ou como coincidências. A maioria das pessoas tem tido a experiência de pensar de repente em alguém que não tem visto nem ouvido falar há vários anos e então, por acaso, encontra-se com essa pessoa naquele mesmo dia ou naquela semana. Outros, no decorrer do dia, têm um vago pensamento sobre alguma coisa que um amigo ou conhecido tem que fazer, e depois descobrem que o vago pensamento era na verdade uma percepção bem precisa. O que muitos pensam ser uma coincidência realmente são verdadeiras impressões proféticas dadas por Deus. A Bíblia contêm vários exemplos poderosos de revelações no nível de impressões. Em Atos 14.9, Paulo percebeu que um certo homem, que era paralítico desde o nascimento, tinha fé para ser curado. Quando Paulo agiu conforme a sua impressão o paralítico foi curado de forma impressionante. Contudo, mesmo sabendo que Deus fala desse modo, é necessário ter muita disciplina e sabedoria para discernir com precisão a voz de Deus. É óbvio que nem tudo o que alguém venha sentir provêm de Deus. Quanto mais estivermos voltados para nós mesmos ou feridos, mais os nossos sentimentos serão imprecisos e perigosos.
Há ainda outra maneira de Deus falar: através dos “sentidos proféticos”. Em II Reis 2, vemos um exemplo bíblico de discernimento operando através da visão espiritual. Quando Elias foi arrebatado ao céu, Eliseu recebeu dobrada porção do Espírito que estava sobre ele, e também recebeu o manto de Elias para ministrar. A passagem relata a reação dos filhos dos profetas: “Vendo-o, pois, os discípulos dos profetas que estavam defronte, em Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu. Vieram-lhe ao encontro e se prostraram diante dele em terra” (II Rs 2.15). Aqueles jovens viram que o espírito de Elias agora estava sobre Eliseu, mas não através de mudanças físicas. Havia uma presença espiritual que antes estava sobre Elias e que agora eles viam com olhos espirituais sobre Eliseu.
Em todos os ministérios, exceto um, damos oportunidade para que as pessoas cresçam em seus dons e habilidade. Ninguém espera que os mestres nunca errem ou que se sintam plenamente à vontade quando começam a ensinar. Também não exigimos dos pastores que sejam perfeitos no início do seu ministério. Mas devido a certos pontos não bem entendidos acerca do ministério profético, grande parte da igreja espera, até mesmo dos iniciantes na profecia, que todos sejam perfeitos ao exercerem o seu dom. É necessário entender que, para crescer no ministério profético, a pessoa precisa encontrar espaço para exercer o seu dom. E também é necessário entender que os erros não são opcionais. Embora esse processo não seja o mais agradável, o modo pelo qual a maioria das pessoas aprende é pela tentativa e erro. Esta é a natureza da vida e do ministério: se não aceitarmos o fato de que temos que passar por um nível de imaturidade no ministério profético, provavelmente, nunca teremos um ministério profético maduro. Temos que engatinhar antes de andar. Além disso, temos que reconhecer que tudo na obra de Deus requer que andemos em fé. Profetizar, tal como qualquer outro ministério, é um passo de fé que requer que fiquemos totalmente livres de nossos sentimentos e temores.
“Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem” (I Pedro 2.13,14).
Esse texto é bastante apropriado para nós: ele nos fala de consciência política. É importante observarmos esse ensinamento bíblico por dois motivos, pelo menos. Em primeiro lugar, porque percebemos que a Bíblia também fala sobre a política; ela não a coloca como algo demoníaco ou com o que os cristãos não devem de modo nenhum se envolver. É necessário desmistificar o pensamento que muitos cristãos têm sobre política.
Muitos cristãos imaginam que não podem e nem devem buscar uma consciência política; que todo e qualquer pensamento político é ruim e significa ausência de espiritualidade; que pelo fato de serem cristãos devem buscar apenas o sobrenatural, deixando as coisas naturais para os não-cristãos. Mas devemos refletir sobre a nossa posição aqui na terra: ainda não fomos glorificados, não fomos morar no céu. Ainda estamos na terra e precisamos ter a consciência das coisas que acontecem aqui. Não devemos pensar que o posicionamento do cristão diante da política deve ser desinteressado ou displicente. O cristão deve, pelo contrário, estar atento a todas as questões políticas do seu país e mais do que isso: a ordem de Pedro para os cristãos é: “Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor”. Pedro não está dizendo que os cristãos devem se colocar acima delas como se fossem melhores ou como se soubessem mais do que elas, nem se rebelar contra as autoridades quando sentirem que elas estão tomando atitudes erradas ou difamar e criticar as instituições humanas por causa dos seus erros. Há muitos que diante das situações da vida conclamam as pessoas à rebelião: dizem que as pessoas precisam pegar em armas e usurpar o poder do tirano explorador, propondo uma revolta em massa contra as autoridades instituídas. Outros levantam a sua voz para falar mal do governo ou para criticar os governantes, e levantam difamações ou criam boatos para desestabilizar sua administração.
Apesar de serem notórios entre os cidadãos do Império os excessos, as festas, as orgias e os absurdos praticados pelos imperadores de Roma, Pedro não conclamou os cristãos a se rebelar contra as instituições ou se colocar acima das mesmas para promoverem o julgamento. No entanto, ele também não disse que os cristãos devem se colocar passivamente debaixo das instituições humanas, com uma posição de ignorância. A Bíblia não admite uma postura de submissão sem reflexão. Há muitas pessoas que se sujeitam a alguma instituição simplesmente porque lhes é mais cômodo. Eles não querem pesquisar e nem estudar os princípios que regem aquela instituição, e tendem a confundir passividade com submissão – por isso vivem completamente ignorantes acerca das instituições e fazem o que fazem simplesmente porque sempre se fez daquele jeito – são como bois que, sem saber, seguem a boiada em direção ao matadouro.
Paulo não agia assim; ele era submisso às autoridades, mas não era passivo. Quando lemos acerca da sua prisão em Jerusalém, registrada em Atos 22, vemos que Paulo não era ignorante quanto às instituições humanas – ele conhecia as leis do Império em que ele vivia. Por isso, quando estava sendo amarrado para ser açoitado, Paulo disse: “Ser-vos-á, porventura, lícito açoitar um cidadão romano, sem estar condenado?” (At 22.25). Paulo fez lembrar aos seus exatores a Lex Porcia, que proibia que um cidadão romano fosse tratado com violência.
Pedro está chamando os cristãos para se colocarem abaixo das autoridades humanas. Com toda humildade, os cristãos devem reconhecer sua posição de autoridade e ser submissos a elas. Eles não devem tê-las como inimigos; antes, devem reconhecê-las como instrumentos de Deus. Ao afirmar isso, Pedro não está dizendo que os cristãos só devem se submeter às instituições que são justas aos seus olhos; pelo contrário, também àquelas autoridades civis que são injustas, arbitrárias e até mesmo não cristãs. O próprio Pedro, quando escreveu essa carta, estava vivendo debaixo do governo do imperador Nero, um homem pagão e insano. Apesar disso, Pedro se submete a ele e conclama as pessoas a fazerem o mesmo até as últimas conseqüências, que no caso de Pedro foi a morte por crucificação depois de ter-se negado a oferecer sacrifícios a outros deuses.
Às vezes existe má compreensão quanto à sujeição às autoridades civis. Essa sujeição deve ser total enquanto as autoridades não exijam que a pessoa cometa pecados contra Deus. Em Atos 5, por exemplo, vemos que os apóstolos se sujeitaram ao Sinédrio e por isso não se rebelaram quando foram açoitados, mas não se submeteram à ordem de pregar o nome de Cristo. Eles reconheceram que precisavam obedecer às autoridades, mas também que a obediência a Deus é sempre prioritária (Atos 5.29). Portanto, não importa quem é a autoridade civil sobre um determinado país; o que importa é que os cristãos devem estar em submissão a essa autoridade, dentro do limite da obediência a Deus.
Em segundo lugar, percebemos que Pedro orienta os cristãos a não serem meros observadores dos acontecimentos políticos. Eles devem, sim, se submeter às instituições humanas, mas, consciente, ativa e voluntariamente. Nas eleições no Brasil, por exemplo, o voto é obrigatório para todos os brasileiros que têm mais de 18 anos e menos de 70 anos. A obrigatoriedade do voto é uma instituição humana, estabelecida para garantir a todas as pessoas o exercício dos direitos políticos. Mas essa mesma lei também estabelece que o voto é livre, direto e secreto – ou seja, cada cidadão tem o direito de, por si mesmo, votar consciente e voluntariamente no candidato que desejar. Não devemos votar nos candidatos apresentados por quem quer que seja, mas sim naqueles que melhor se amoldam ao nosso modo de pensar.
É importante entendermos o significado de “instituição humana”. Esse termo não se refere apenas à figura de autoridade humana, como um juiz ou governador, mas a tudo aquilo que o homem cria com o objetivo de estabelecer a ordem dentro da sociedade. Aqui se incluem as leis, que são na verdade a autoridade natural mais elevada dentro de um estado democrático – no Brasil, a Constituição da República. São as leis que conferem autoridade aos cargos públicos; por isso, devemos entender que Deus nos chama para nos submetermos às leis brasileiras. Pedro afirma: “Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor”.
O cristão deve entender que a sua obediência às instituições humanas deve ser consequência do seu conhecimento do Senhor. O cristão que conhece o Senhor sabe que Deus é quem dirige toda a história; o mundo dos homens não é dirigido pelo acaso, por demônios ou pelo próprio homem. Ele sabe que o seu Senhor é Todo-Poderoso e por isso é Ele quem, de alguma maneira e segundo os seus propósitos eternos e providenciais, faz serem elaboradas as leis. Quanto às leis injustas e anti-cristãs, mesmo sendo uma reivindicação totalmente legítima e relevante, o cristão não deve reclamar, murmurar ou criticar as autoridades. Antes, deve colocar os seus olhos em Deus e descansar nEle, tendo a certeza que Deus não perdeu o controle da situação e que Ele certamente tem um propósito naquilo tudo. O Senhor é bondoso e não deseja o mal ao ser humano; assim, todas as suas atitudes são boas. Mesmo as instituições aparentemente más aos olhos do homem certamente vão, em algum tempo, expressar a bondade de Deus.
Essa realidade não é facilmente entendida pelas pessoas, mas temos como exemplo a história de José, filho de Jacó, que foi vendido como escravo ao Egito pelos próprios irmãos. Deus estava dirigindo a história, e José reconheceu isso quando afirmou: “Deus me enviou adiante de vós, para conservar a vossa sucessão na terra e para vos preservar a vida por um grande livramento. Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus” (Gn 45.7,8). Ainda que os padrões de bondade de Deus não sejam semelhantes aos do ser humano, o cristão que conhece ao Senhor pode descansar, reconhecendo que no final de tudo a bondade do Senhor vai se manifestar com clareza. Por isso, o cristão pode se sujeitar a toda instituição humana, porque ele sabe que acima dela está o Senhor e Ele é bom.
A Bíblia afirma que (...) há tempo para todo o propósito debaixo do céu (Ec 3.1). Não há acasos; Deus tem um propósito para cada acontecimento. Sendo assim, nós não podemos imaginar que Deus não tem propósitos para o sofrimento. Nem mesmo o sofrimento humano acontece por acaso.
1 – PROPÓSITOS DO SOFRIMENTO ENTRE OS ÍMPIOS
Manifestar o caráter santo de Deus
Salmo 107.17 – Esse texto afirma que os ímpios serão afligidos por causa dos seus pecados. As dores e as angústias sobrevêm aos incrédulos como conseqüência das suas transgressões. Há pessoas que vivem com o coração longe de Deus, se afundam nas suas iniqüidades e que, quando sofrem, perguntam-se: “Por que eu tenho sofrido tanto?” Deus, por causa de Sua própria santidade, além de abominar o pecado não pode ficar impassível diante de práticas pecaminosas. Assim, Ele age permitindo o sofrimento àqueles que vivem na prática do pecado.
Promover a prática da justiça
Is 26.9 – O sofrimento que Deus permite aos ímpios tem por objetivo levá-los a aprender a viver uma vida reta. Uma das maneiras de se levar uma pessoa ímpia a viver uma vida correta é aplicando-lhe uma penalidade. A manifestação da justiça de Deus tem um efeito saudável dentro da sociedade, pois as pessoas começam a andar em retidão pelo medo da “punição”.
2 – PROPÓSITOS DO SOFRIMENTO ENTRE OS CRISTÃOS
Levar o crente de volta ao caminho correto
Pv 3.11-12 – A dor é o “megafone” que Deus usa para fazer o “surdo” ouvir o que Ele tem a dizer. Quando estamos enfrentando dores e sofrimentos, devemos pedir a Deus para nos mostrar o caminho correto a seguir, para ajudar-nos em nossa conduta, fazendo-nos voltar para o caminho da retidão. Além do mais, é necessário compreender que esse tipo de ação permissiva de Deus (dor e sofrimento) não é sinal de que Ele nos abandonou. Pelo contrário, é sinal de que Ele nos ama, desejando nos levar a andar no melhor caminho: o caminho da vida.
Desenvolver uma capacidade de compaixão pelos outros
II Co 1.4-5 – Esse texto nos ensina algumas verdades acerca do sofrimento:
É Deus quem nos conforta no sofrimento – No mundo, nós, que somos cristãos, sempre vamos passar por tribulações (Jo 16.33). Todavia, com Deus esse estado de miséria é aliviado. Por essa razão, no verso 3 Deus é chamado de “o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação”. Deus está sempre disposto e é totalmente poderoso para nos consolar e nos confortar em nossos momentos de angústia e dor.
É Deus que nos capacita para confortar no sofrimento de outros – O sofrimento é uma excelente escola, onde aprendemos a consolar e confortar as pessoas da mesma maneira como Deus o faz. Nós, seres humanos, somos diferentes de Deus: Enquanto Ele conhece todas as coisas sem nunca as ter experimentado, nós só conseguimos aprender a fazer algo através da experiência. Nunca aprenderemos a confortar pessoas a menos que passemos pelo sofrimento e recebamos o conforto divino. Se o próprio Jesus teve de aprender a obedecer pelas coisas que sofreu, tendo de experimentar o sofrimento e a tentação para poder socorrer os que são tentados (Hb 2.8), quanto mais nós temos de aprender na prática sobre a consolação divina para podermos consolar os que estão sofrendo.
Deus enviou Cristo para que a nossa consolação transborde por meio dEle – Paulo também aprendeu a glorificar o merecedor de todas as graças que recebemos de Deus. Como recebemos a capacidade de consolar, temos de aprender a glorificar a Cristo, porque toda a nossa capacidade de confortar é transbordada por meio de Cristo.
Confirmar o valor da fé
1 Pe 1.6-7 – O sofrimento é um meio que Deus usa para fazer o crente crescer na sua fé.
Pedro diz que o sofrimento é comparado à ação do fogo – A ação do fogo é múltipla. Ele destrói, consome, aniquila; mas a Escritura cita o fogo aqui como um elemento purificador, um elemento que torna o objeto aprovado, aperfeiçoado, confirmado. O processo de confirmação de nossa vida em fé é comparado ao processo da depuração do ouro pelo fogo.
Pedro diz que a confirmação da fé vem por uma gama de sofrimentos – O fogo é sinônimo de sofrimento causado pelas provações: passamos por ele e por meio dele somos confirmados em nossa fé. Os destinatários da carta de Pedro estavam sendo provados com aflições. Não haveriam de sofrer por muito tempo, mas estavam sofrendo para que o valor da sua fé fosse confirmado. O sofrimento tem várias manifestações: Deus permite várias formas para causar crescimento no meio do seu povo. Por essa razão, Pedro diz que os crentes seriam contristados (entristecidos) “por várias provações”. Esse teste de fé está longe de ser uma experiência agradável.
Pedro diz que o sofrimento para a confirmação da fé vem quando necessário – Nem todos os cristãos que passaram pelo mundo experimentaram os sofrimentos dos quais Pedro falava. Por essa razão ele diz: “Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações (...)”. A conclusão que se pode tirar dessa passagem é que nem todos sofrem, porque não é necessário que haja crescimento ou confirmação da fé somente por meio do sofrimento. O sofrimento não é algo inevitável ou necessário.
Pedro diz que o sofrimento para a confirmação da fé não é longo – Mesmo que em certas ocasiões o sofrimento possa vir sobre os crentes, ele não permanece para sempre. Pedro diz que os crentes são contristados “por breve tempo”. O sofrimento é de duração limitada. Aliás, não podemos nos esquecer de que a duração curta da provação está em contraste com a alegria de que vamos desfrutar amanhã. Mesmo que o sofrimento dure a noite inteira, a alegria vem pela manhã.
Aperfeiçoar o caráter cristão
Rm 5.3-4 – Nesse texto, Paulo afirma que o sofrimento é um meio que Deus usa para aperfeiçoar o caráter dos cristãos. Mas, diferentemente da versão Revista e Atualizada da Sociedade Bíblica Brasileira, há outras versões da Bíblia que traduzem o texto de uma forma diferente. A palavra “tribulações” é traduzida como “sofrimentos”, “perseverança” é traduzida como “paciência” e “experiência” é traduzida como “caráter provado”. Assim:
Paulo diz que os sofrimentos produzem perseverança – Na língua grega, a palavra “perseverança” pode também ser traduzida por paciência, persistência, constância. Essas são algumas características que se apresentam no homem maduro, que se mantêm leal à sua fé e aos seus propósitos mesmo quando está debaixo das maiores tribulações ou sofrimentos. Em geral, não crescemos quando estamos em plena calmaria de problemas. Em todos os ramos, o desenvolvimento aparece em hora de crise ou sofrimento.
Paulo diz que a perseverança produz experiência – Essa é parte da reação em cadeia. Assim como os sofrimentos produzem a perseverança (ou paciência, ou constância, ou persistência), esta produz experiência. Na língua grega, a palavra “experiência” pode ser traduzida por “caráter provado”. A idéia é a de alguém que foi testado e saiu vitorioso no teste, tendo desenvolvido um caráter amadurecido pelos sofrimentos.
Paulo diz que a experiência produz esperança – O sofrimento do cristão o conduz à perseverança, à firmeza, à constância e à paciência porque eles são conectados à esperança. Há alguma coisa no final que os faz levantar os olhos e crer na mudança dos acontecimentos. Para o cristão, o sofrimento é o ponto em que o poder da esperança fica cada vez mais claro, ligando o nosso presente ao futuro de vitória, porque para o cristão “os sofrimentos do tempo presente na são para comparar com a glória a vir ser revelada em nós” (Rm 8.18).
Conclusão
Quando você estiver sofrendo pelas mais variadas razões, lembre-se de que você não é um desafortunado, mas um amado de Deus. Os sofrimentos pelos quais você tem passado são maneiras belamente estranhas de Deus fazer bem à sua vida.
- Ele tem levado você de volta ao caminho dele, que é o caminho da vida, endireitando as suas veredas tortuosas. Se Deus não lhe houvesse mostrado o seu amor disciplinador, onde você estaria ainda?
- Ele tem ensinado você a ter compaixão dos outros que sofrem.
- Ele tem confirmado o valor da sua fé, por meios das tribulações pelas quais você passa.
- Ele tem aperfeiçoado o seu caráter.
Antes de definirmos o que é graça comum, é importante adquirir algumas noções básicas acerca do pecado e da punição decorrente do mesmo. Olhando para a Bíblia, percebemos que ela afirma que “(...) o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Isso significa que todos que pecam devem receber a devida punição pelo pecado. Os anjos, por exemplo, foram imediatamente punidos depois que pecaram. Diz a Escritura que “(...) Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo” (II Pe 2.4). Contudo, o que aconteceu com os anjos quando esses pecaram não aconteceu com os seres humanos. Vejamos o caso de Adão e Eva: eles pecaram e, apesar disso, não receberam a punição imediatamente (Gn 2.17). Nós também deveríamos, por causa de nossos pecados, ser imediatamente punidos; entretanto, ainda estamos vivos. Qual é a razão disso? O que leva Deus a não aplicar imediatamente a Sua justiça aos homens quando esses pecam? A “graça comum”. Graça comum é a parte do caráter de Deus que faz com que Ele dê a todas as pessoas, indistintamente, inumeráveis bênçãos. Exemplos de graça comum O domínio físico: Os incrédulos continuam a viver nesse mundo unicamente por causa da graça comum de Deus. Todos nós respiramos por causa da graça, porque o salário do pecado é a morte, não a vida. Além disso, a terra não produz somente cardos e abrolhos (Gn 3.18), nem permanece como um deserto ressecado, mas pela graça comum de Deus ela produz alimento e material para roupa e abrigo. Jesus disse: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos de vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos” (Mt 5.44,45). De modo semelhante, Paulo declarou às pessoas de Listra: “(...) nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos; contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria”. (At 14.14-17). Além disso, vemos evidências da graça comum de Deus até na beleza do mundo natural. Embora a própria natureza esteja no “cativeiro da corrupção” e “sujeita à vaidade” (Rm 8.20,21) por causa da maldição da queda (Gn 3.17-19), ainda há formosura no mundo natural. A beleza das flores, dos gramados e florestas, dos rios, lagos, montanhas e praias ainda permanecem como um testemunho diário da incessante graça comum de Deus. O domínio intelectual: O pecado corrompeu os anjos caídos de maneira imediata e completa. Satanás, por exemplo, segundo a Bíblia, é “mentiroso e pai da mentira”. Ele é alguém em quem não há qualquer verdade (Jo 8.44). Mas o que acontece com os anjos caídos não acontece com os seres humanos. Mesmo incrédulos não são totalmente inclinados para a mentira, para a irracionalidade e para a ignorância; todas as pessoas conseguem compreender alguma medida de verdade, e certamente alguns têm grande inteligência e entendimento. Isso é resultado da graça comum de Deus. A Bíblia diz que Jesus é “a verdadeira luz que ilumina a todo homem” (Jo 1.9). Isso significa que, em sua função como Criador e sustentador do universo, Deus permite que iluminação e o entendimento cheguem a todas as pessoas do mundo. Isso explica, por exemplo, a capacidade que o homem possui de transmitir verdades científicas e construir, através do esforço comum, automóveis, telefones e outros inventos. O domínio moral: Deus também, por meio da graça comum, limita as pessoas para que não sejam tão más quanto poderiam ser. Se por um lado os demônios, por causa da corrupção do pecado, são totalmente devotados ao mal e à destruição, por outro lado ainda é possível distinguir algum tipo de bondade nos seres humanos. Na sociedade humana o mal é claramente controlado. Paulo fala sobre isso ao dizer: “Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem por natureza de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se” (Rm 2.14,15). O ser humano possui dentro de si uma consciência que ainda guarda padrões morais de comportamento. Por causa disso ele consegue, em diversas situações, discernir o certo do errado. O domínio criativo: Deus tem permitido medidas significativas de talento nas áreas artísticas e musicais, bem como em outras esferas nas quais a criatividade e o talento podem ser expressos, tais como atividades atléticas, arte culinária, literatura e assim por diante. Além disso, Deus nos dá capacidade para apreciar a beleza em muitas facetas da vida. O domínio social: A graça de Deus também é evidente na existência de várias organizações e estruturas na sociedade humana. Vemos isso primeiramente na família humana, atestada pelo fato de que Adão e Eva permaneceram como marido e mulher depois da queda e então tiveram descendentes, tanto filhos como filhas (Gn 5.4). Os filhos de Adão e Eva se casaram e formaram suas próprias famílias (Gn 4.16,17,19). Além disso, o governo humano também é resultado da graça comum. Paulo, falando sobre isso ao escrever aos romanos, afirma claramente que “(...) não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas” (Rm 13.1). Aplicação Devemos ser cautelosos para não rejeitar as coisas boas que os incrédulos fazem como se fossem totalmente más; A doutrina da graça comum deve conduzir o nosso coração a uma extrema gratidão a Deus: Quando passeamos pelos campos e observamos árvores floridas e lindas cachoeiras, quando experimentamos as maravilhas tecnológicas produzidas por cientistas, quando recebemos educação e também algum tipo de segurança do governo, devemos perceber que, no final das contas, Deus é quem nos tem abençoado, mesmo não merecendo tantas e incontáveis bênçãos.
Diante de tudo que vimos acerca da graça comum, é importante refletirmos e tomarmos algumas atitudes práticas: