









Nós estamos vivendo tempos muito semelhantes aos tempos de Elias. Voltando os nossos olhos para a Bíblia, podemos perceber que a sociedade de hoje está muito parecida com a sociedade dos tempos do profeta. A corrupção tem aumentado, a religiosidade tem contaminado a muitos, as pessoas têm sido enganadas, os padrões morais têm caído, o relacionamento com Deus tem se deteriorado, a miséria tem aumentado, a educação tem decaído, enfim, o mal tem dominado. Naquela situação, Deus buscou e encontrou um homem que sacudiu os alicerces do seu tempo: a história não foi a mesma depois de Elias! Mas onde estão os homens e as mulheres que irão sacudir a sociedade de hoje? Onde se encontram as pessoas que Deus busca? Onde estão os “Elias” de Deus? Deus está, hoje, convocando os “Elias” para intervirem na história.
Quando Deus levanta Elias?
Em I Reis 17.1 nós temos uma referência da época em que Deus levanta Elias. A primeira palavra desse texto é “Então”. Esse “então” é muito elucidativo e esclarecedor; ele foi colocado aí para ligar dois momentos históricos que formam uma seqüência, e mais: o segundo momento histórico surgiu para mudar o primeiro momento. A sociedade estava andando em uma direção; então chegou Elias e a sociedade começou a andar em outra direção. Mas como estava a sociedade antes de Elias? Como era a época em que Elias surgiu? Aliás, em que épocas surgem os “Elias” de Deus?
Lendo I Reis 16.29-34, nós podemos ver que a sociedade era um reflexo do Rei. Naquele tempo, o rei era a figura máxima dentro da sociedade; as pessoas o olhavam e sempre o viam como o único favorecido de Deus, ou como a personificação do próprio Deus. Dessa maneira, tudo o que o rei fazia a sociedade copiava; tudo o que ele dizia a sociedade realizava. Portanto, se o rei se afastava de Deus, toda a sociedade assim procedia; se o rei caía na idolatria, todos iam atrás. A Bíblia diz que o rei Acabe fez o que era mau perante o Senhor, e assim podemos concluir que toda a sociedade estava fazendo o mesmo porque seus atos eram o reflexo dos atos do rei. Se Deus é a referência de todas as coisas boas, Acabe e toda a sociedade estavam fazendo exatamente o oposto daquilo que é ensinado por Deus.
Não existe um rei instituído hoje no Brasil, mas existe uma mídia que, poderosa e sutilmente, tem influenciado as pessoas. Além do mais, existe um pensamento perverso envolvendo toda a sociedade, instigando e influenciando as pessoas a viverem fora dos padrões de Deus. Enquanto Deus diz sim para o casamento, a mídia transmite idéias falsas sobre o relacionamento e é absolutamente permissiva quanto ao sexo antes do casamento. Enquanto Deus diz sim para as roupas decentes, o pensamento perverso dessa era instiga homens e mulheres a se vestirem cheios de sensualidade e provocação. Deus diz sim para a honestidade, mas a sociedade diz sim para a esperteza e astúcia; Deus diz sim para o amor, mas o pensamento desse século diz sim para o interesse.
Lendo os versículos 31 a 33, vemos o sincretismo, a combinação de diversas crenças. O povo de Israel tradicionalmente adorava a Iavé, a Deus. Contudo, com o passar dos tempos, o povo de Israel começou a se deixar influenciar pelas religiões dos povos que estavam ao seu redor e, pouco a pouco, foi absorvendo das suas tradições. Isso se tornou mais evidente quando aconteceu o casamento entre Acabe e Jezabel. Para satisfazer a religião da esposa e conseguir apoio político, Acabe levantou um altar a Baal e o adorou. Com isso, as leis e os valores de Deus começaram a se misturar e ser influenciados pelas leis e valores de Baal, até que foi deixando de existir a verdade de Deus. Na sociedade de hoje está acontecendo o mesmo, com uma política diabólica de tolerância na fé. As pessoas têm negociado com a verdade em nome de um pseudo-amor. “Todos os caminhos levam a Deus; afinal, Ele é um só”, dizem. Então, abrem as portas da Igreja para todo o tipo de prática pagã e mundana.
No versículo 34, vemos que a sociedade estava desafiando a Palavra de Deus. Quando Israel entrou na Terra Prometida, a primeira cidade que conquistaram além do Jordão foi Jericó. No dia em que essa cidade foi destruída, Josué, inspirado pelo Senhor, proferiu a maldição contra todo aquele que tentasse reconstruir a cidade (Josué 6.26). Mas Hiel, o betelita, não quis dar ouvidos ao que Deus havia falado; antes, ele decidiu reedificar a cidade. O ato de Hiel era um reflexo dos atos da sociedade de um modo geral; sinal disso era a injustiça, o mal e a idolatria dentro da mesma. E a sociedade de hoje faz a mesma coisa. São muitos os que abertamente afirmam: “a Palavra de Deus é uma mentira.” Outros abertamente desprezam a Deus e adoram a Satanás. É impressionante e terrível, ao mesmo tempo, o crescimento e o avanço da bruxaria, do satanismo e outros cultos ao diabo que têm sido divulgados em todo o mundo.
Quem é Elias?
Lendo o texto de I Reis 17.1 nós vemos alguns traços dos “Elias” de Deus:
São homens dependentes de Deus - Elias não era um homem que confiava na própria força, perspicácia ou sabedoria. Antes, como ele mesmo se define, ele era alguém que vivia perante a face de Deus. Da mesma maneira como precisava de ar para respirar, ele precisava de Deus. A preocupação de Elias não era a comida para comer, a roupa para vestir, a casa para morar, dinheiro para ganhar ou gente para conversar; era Deus. Ele poderia ficar sem tudo, e ainda sobreviveria; mas se perdesse a percepção da presença de Deus, ele não suportaria. Ele era aquele homem que conversava com Deus e que O ouvia antes de agir, e não se deixava levar pelas pessoas, modismos, pensamentos ou vaidade. Esse era o seu apoio: o relacionamento com Deus.
Por isso, a sociedade podia estar caótica, com as pessoas fazendo o que era mau, sendo influenciadas para cometerem erros e aceitando o sincretismo, mas Elias permanecia firme. Ele se relacionava com Deus e sabia ouvir a Sua voz, e por isso não se deixava enganar.
São homens ousados - Elias tinha coragem de se aproximar do rei de todo o Israel e dizer verdades, de confrontá-lo cara a cara. Elias havia ouvido a Deus, e Deus o havia enviado. Quem era o rei de todo o Israel diante do Rei de todo o universo? E não somente isso: porque andava com Deus, conhecia a Deus e sabia o que Deus queria, Elias profetizava o que aos olhos dos homens parecia impossível de acontecer. Ele disse: “Segundo a minha palavra, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos” (I Reis 17.1). Mesmo sabendo que a pena para os que profetizassem mentiras era a morte, ele profetizava o controle até sobre as forças da natureza!
Elias assim agia porque se apoiava em Deus e não temia nem pessoa nem circunstância alguma. Elias se apoiava em Deus e sabia que a sua vida estava em Suas mãos. Era o próprio Deus quem cuidava das necessidades de Elias; ele não dependia de mais ninguém e, por isso, ele era ousado diante de Deus.
A voz profética – uma geração que marca
“Porque todos podereis profetizar, um após o outro, para todos aprenderem e serem consolados” (I Co 14.31).
Nem todo o que profetiza é profeta e tem o dom de profeta; o profeta possui um dom específico para realizar uma tarefa dada por Deus. Mas aqui abordaremos a orientação bíblica que apresenta a todas as pessoas a possibilidade de andar profeticamente. É importante ressaltar que Paulo não está imediatamente denominando todos os membros como profetas, mas a orientação de Paulo não exclui qualquer pessoa da igreja; ele não diz que apenas os “profetas” podem profetizar. Além disso, a Bíblia também encoraja todas as pessoas a procurarem com zelo os dons espirituais, “(...) mas principalmente que profetizem” (I Co 14.1). Essa intensidade na exortação existe porque Paulo sabe que os dons não são um incremento opcional para a igreja; são, sim, habilidades espirituais dadas por Deus para que o seu Reino possa manifestar-se. Paulo não se refere à uma busca relaxada ou esporádica; ele diz que a busca deve ser intensa e constante, feita com zelo e ardor.
Contudo, muitas pessoas imaginam que profecia é tão somente predizer um acontecimento futuro. De fato, isso também pode fazer parte da profecia, mas não é tudo. Em I Co 14.3, lemos: “Mas o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando” – ou seja, fortalecendo, encorajando e confortando. Com palavras bem simples, profetizar é “ouvir” o que Deus está falando e dizer o que se ouviu, tendo o objetivo de fortalecer, encorajar ou confortar alguém.
A Bíblia nos apresenta alguns dons espirituais que estão incluídos na profecia. Esse texto diz: “Porque a um é dada, mediante o Espírito, a palavra de sabedoria; e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra de conhecimento; a outro, no mesmo Espírito, a fé; e a outro, no mesmo Espírito, dons de curar; a outro, operações de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a um, variedade de línguas; e a outro, capacidade para interpretá-las” (I Co 12.8-10). Os dons incluídos na profecia são a palavra de sabedoria, a palavra de conhecimento, o discernimento de espíritos e o próprio dom da profecia.
Uma palavra de conhecimento é um fato específico sobre uma pessoa, um lugar ou um acontecimento que não foi obtido por meios naturais: o nome de alguém, sua ocupação, seu lugar de nascimento, seu dia de aniversário, detalhes da sua vida passada ou qualquer outra informação. Um exemplo das Escrituras é encontrado em João 4.16-19: “Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e vem cá. Ao que lhe respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Bem disseste, não tenho marido; porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isso disseste com verdade. Senhor – disse-lhe a mulher – vejo que tu és profeta”. Jesus, que nunca tinha se encontrado antes com aquela mulher, recebeu uma palavra de conhecimento sobre a vida dela e ela reconhece que a graça de Deus estava sobre Jesus, dizendo: “Senhor, vejo que tu és profeta”. Paulo destacou que esse reconhecimento é muito importante: “Porém, se todos profetizarem, e entrar algum incrédulo ou indouto, é ele por todos convencido e por todos julgado; tornam-se-lhe manifestos os segredos do coração, e, assim, prostrando-se com a face em terra, adorará a Deus, testemunhando que Deus está, de fato, no meio de vós” (I Co 14.24,25) Esse é o poder que potencialmente se acha numa palavra de conhecimento.
A palavra de sabedoria é uma revelação divina da vontade, do plano ou do propósito de Deus para uma situação específica. Ela difere da palavra de conhecimento em vários aspectos. A palavra de sabedoria pode não causar o mesmo impacto que uma palavra de conhecimento, mas sua necessidade pode ser maior, já que ela é diretiva por natureza, por conter uma percepção profética quanto ao que fazer numa dada situação. Em Atos 27 encontramos um bom exemplo operado através de Paulo. Antes de prosseguir naquela viagem de navio, Deus lhe havia dado a impressão de que não deveriam fazê-lo, porque a viagem seria trabalhosa (v.10). Quando o navio ficou em perigo, Paulo recebeu a visita de um anjo que lhe prometeu a proteção de todos os que estavam a bordo (v.22). Na hora em que a tempestade começou a ameaçar suas vidas, os marinheiros tentaram arriar o bote salva-vidas, mas Paulo lhes disse que se fizessem isso eles não seriam salvos (vv.30,31). Eles foram convencidos disso e, por fim, todos foram salvos. Nessa palavra de sabedoria houve a revelação do plano de Deus para aqueles marinheiros, com a orientação sobre o que eles deveriam fazer.
No discernimento de espíritos, a palavra discernir significa “distinguir entre duas ou mais coisas”. A palavra “espírito” pode ter qualquer um dos seguintes significados nas Escrituras: anjo, demônio, espírito humano, Espírito Santo, unções ou pode referir-se à influência motivadora de uma pessoa. Muitos foram ensinados que o discernimento de espíritos é a condição de poder determinar se alguém tem um problema demoníaco. Este é apenas um aspecto deste dom; ele também identifica dons espirituais e chamados, ou funciona como uma palavra de conhecimento na cura, na identificação de atividades angelicais, na situação em que se encontra o coração de alguém ou ainda na determinação de qual é o específico propósito da atuação de Deus em uma reunião. Podemos ver um exemplo em Atos 16.17,18, quando Paulo se encontrou com uma jovem que aparentemente falava a verdade: “Seguindo a Paulo e a nós, clamava dizendo: Estes homens são servos do Deus Altíssimo e vos anunciam o caminho da salvação. Isto se repetia por muitos dias. Então Paulo, já indignado, voltando-se, disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, eu te mando: “Retira-te dela”. E ele na mesma hora saiu”. Embora o que ela dizia estivesse certo, Paulo discerniu que ela tinha um espírito de adivinhação (v.16); ela não falava pelo Espírito Santo, mas por um espírito demoníaco. E Paulo perturbou-se em seu espírito.
Contudo, como receber esses dons, distinguir a voz de Deus e perceber que ele está falando? De fato, Deus geralmente não nos fala com uma voz audível. Às vezes, aos nossos olhos Deus nos fala de um modo bastante estranho, mas a Bíblia nos relata diversas formas distintas.
“Pelo contrário, Deus fala de um modo, sim, de dois modos, mas o homem não atenta para isso. Em sonho ou em visão de noite, quando cai sono profundo sobre os homens, quando adormecem na cama, então, lhes abre os ouvidos e lhes sela a sua instrução, para apartar o homem do seu desígnio e livrá-lo da soberba” (Jó 33.14-17).
“Ouvi agora as minhas palavras: se entre vós há profeta, eu, o Senhor, em visão, a ele, me faço conhecer ou falo com ele em sonhos. Não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente, e não por enigmas” (Nm 12.6-8).
Deus tem um propósito para decidir falar assim às pessoas: No texto do livro de Jó lemos que Deus quer livrar-nos da soberba, afastando-nos da rotina mundana da nossa vida para buscá-lO e, assim, nos fazendo depender dEle.
Outra maneira das mais comuns por meio do qual Deus fala são as impressões proféticas. Quase todos os cristãos estão ouvindo Deus falar através de impressões, mas devido à ignorância geral que há na igreja sobre os dons de revelação, muitos as tomam como pensamentos vagos ou como coincidências. A maioria das pessoas tem tido a experiência de pensar de repente em alguém que não tem visto nem ouvido falar há vários anos e então, por acaso, encontra-se com essa pessoa naquele mesmo dia ou naquela semana. Outros, no decorrer do dia, têm um vago pensamento sobre alguma coisa que um amigo ou conhecido tem que fazer, e depois descobrem que o vago pensamento era na verdade uma percepção bem precisa. O que muitos pensam ser uma coincidência realmente são verdadeiras impressões proféticas dadas por Deus. A Bíblia contêm vários exemplos poderosos de revelações no nível de impressões. Em Atos 14.9, Paulo percebeu que um certo homem, que era paralítico desde o nascimento, tinha fé para ser curado. Quando Paulo agiu conforme a sua impressão o paralítico foi curado de forma impressionante. Contudo, mesmo sabendo que Deus fala desse modo, é necessário ter muita disciplina e sabedoria para discernir com precisão a voz de Deus. É óbvio que nem tudo o que alguém venha sentir provêm de Deus. Quanto mais estivermos voltados para nós mesmos ou feridos, mais os nossos sentimentos serão imprecisos e perigosos.
Há ainda outra maneira de Deus falar: através dos “sentidos proféticos”. Em II Reis 2, vemos um exemplo bíblico de discernimento operando através da visão espiritual. Quando Elias foi arrebatado ao céu, Eliseu recebeu dobrada porção do Espírito que estava sobre ele, e também recebeu o manto de Elias para ministrar. A passagem relata a reação dos filhos dos profetas: “Vendo-o, pois, os discípulos dos profetas que estavam defronte, em Jericó, disseram: O espírito de Elias repousa sobre Eliseu. Vieram-lhe ao encontro e se prostraram diante dele em terra” (II Rs 2.15). Aqueles jovens viram que o espírito de Elias agora estava sobre Eliseu, mas não através de mudanças físicas. Havia uma presença espiritual que antes estava sobre Elias e que agora eles viam com olhos espirituais sobre Eliseu.
Em todos os ministérios, exceto um, damos oportunidade para que as pessoas cresçam em seus dons e habilidade. Ninguém espera que os mestres nunca errem ou que se sintam plenamente à vontade quando começam a ensinar. Também não exigimos dos pastores que sejam perfeitos no início do seu ministério. Mas devido a certos pontos não bem entendidos acerca do ministério profético, grande parte da igreja espera, até mesmo dos iniciantes na profecia, que todos sejam perfeitos ao exercerem o seu dom. É necessário entender que, para crescer no ministério profético, a pessoa precisa encontrar espaço para exercer o seu dom. E também é necessário entender que os erros não são opcionais. Embora esse processo não seja o mais agradável, o modo pelo qual a maioria das pessoas aprende é pela tentativa e erro. Esta é a natureza da vida e do ministério: se não aceitarmos o fato de que temos que passar por um nível de imaturidade no ministério profético, provavelmente, nunca teremos um ministério profético maduro. Temos que engatinhar antes de andar. Além disso, temos que reconhecer que tudo na obra de Deus requer que andemos em fé. Profetizar, tal como qualquer outro ministério, é um passo de fé que requer que fiquemos totalmente livres de nossos sentimentos e temores.
“Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor, quer seja ao rei, como soberano, quer às autoridades, como enviadas por ele, tanto para castigo dos malfeitores como para louvor dos que praticam o bem” (I Pedro 2.13,14).
Esse texto é bastante apropriado para nós: ele nos fala de consciência política. É importante observarmos esse ensinamento bíblico por dois motivos, pelo menos. Em primeiro lugar, porque percebemos que a Bíblia também fala sobre a política; ela não a coloca como algo demoníaco ou com o que os cristãos não devem de modo nenhum se envolver. É necessário desmistificar o pensamento que muitos cristãos têm sobre política.
Muitos cristãos imaginam que não podem e nem devem buscar uma consciência política; que todo e qualquer pensamento político é ruim e significa ausência de espiritualidade; que pelo fato de serem cristãos devem buscar apenas o sobrenatural, deixando as coisas naturais para os não-cristãos. Mas devemos refletir sobre a nossa posição aqui na terra: ainda não fomos glorificados, não fomos morar no céu. Ainda estamos na terra e precisamos ter a consciência das coisas que acontecem aqui. Não devemos pensar que o posicionamento do cristão diante da política deve ser desinteressado ou displicente. O cristão deve, pelo contrário, estar atento a todas as questões políticas do seu país e mais do que isso: a ordem de Pedro para os cristãos é: “Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor”. Pedro não está dizendo que os cristãos devem se colocar acima delas como se fossem melhores ou como se soubessem mais do que elas, nem se rebelar contra as autoridades quando sentirem que elas estão tomando atitudes erradas ou difamar e criticar as instituições humanas por causa dos seus erros. Há muitos que diante das situações da vida conclamam as pessoas à rebelião: dizem que as pessoas precisam pegar em armas e usurpar o poder do tirano explorador, propondo uma revolta em massa contra as autoridades instituídas. Outros levantam a sua voz para falar mal do governo ou para criticar os governantes, e levantam difamações ou criam boatos para desestabilizar sua administração.
Apesar de serem notórios entre os cidadãos do Império os excessos, as festas, as orgias e os absurdos praticados pelos imperadores de Roma, Pedro não conclamou os cristãos a se rebelar contra as instituições ou se colocar acima das mesmas para promoverem o julgamento. No entanto, ele também não disse que os cristãos devem se colocar passivamente debaixo das instituições humanas, com uma posição de ignorância. A Bíblia não admite uma postura de submissão sem reflexão. Há muitas pessoas que se sujeitam a alguma instituição simplesmente porque lhes é mais cômodo. Eles não querem pesquisar e nem estudar os princípios que regem aquela instituição, e tendem a confundir passividade com submissão – por isso vivem completamente ignorantes acerca das instituições e fazem o que fazem simplesmente porque sempre se fez daquele jeito – são como bois que, sem saber, seguem a boiada em direção ao matadouro.
Paulo não agia assim; ele era submisso às autoridades, mas não era passivo. Quando lemos acerca da sua prisão em Jerusalém, registrada em Atos 22, vemos que Paulo não era ignorante quanto às instituições humanas – ele conhecia as leis do Império em que ele vivia. Por isso, quando estava sendo amarrado para ser açoitado, Paulo disse: “Ser-vos-á, porventura, lícito açoitar um cidadão romano, sem estar condenado?” (At 22.25). Paulo fez lembrar aos seus exatores a Lex Porcia, que proibia que um cidadão romano fosse tratado com violência.
Pedro está chamando os cristãos para se colocarem abaixo das autoridades humanas. Com toda humildade, os cristãos devem reconhecer sua posição de autoridade e ser submissos a elas. Eles não devem tê-las como inimigos; antes, devem reconhecê-las como instrumentos de Deus. Ao afirmar isso, Pedro não está dizendo que os cristãos só devem se submeter às instituições que são justas aos seus olhos; pelo contrário, também àquelas autoridades civis que são injustas, arbitrárias e até mesmo não cristãs. O próprio Pedro, quando escreveu essa carta, estava vivendo debaixo do governo do imperador Nero, um homem pagão e insano. Apesar disso, Pedro se submete a ele e conclama as pessoas a fazerem o mesmo até as últimas conseqüências, que no caso de Pedro foi a morte por crucificação depois de ter-se negado a oferecer sacrifícios a outros deuses.
Às vezes existe má compreensão quanto à sujeição às autoridades civis. Essa sujeição deve ser total enquanto as autoridades não exijam que a pessoa cometa pecados contra Deus. Em Atos 5, por exemplo, vemos que os apóstolos se sujeitaram ao Sinédrio e por isso não se rebelaram quando foram açoitados, mas não se submeteram à ordem de pregar o nome de Cristo. Eles reconheceram que precisavam obedecer às autoridades, mas também que a obediência a Deus é sempre prioritária (Atos 5.29). Portanto, não importa quem é a autoridade civil sobre um determinado país; o que importa é que os cristãos devem estar em submissão a essa autoridade, dentro do limite da obediência a Deus.
Em segundo lugar, percebemos que Pedro orienta os cristãos a não serem meros observadores dos acontecimentos políticos. Eles devem, sim, se submeter às instituições humanas, mas, consciente, ativa e voluntariamente. Nas eleições no Brasil, por exemplo, o voto é obrigatório para todos os brasileiros que têm mais de 18 anos e menos de 70 anos. A obrigatoriedade do voto é uma instituição humana, estabelecida para garantir a todas as pessoas o exercício dos direitos políticos. Mas essa mesma lei também estabelece que o voto é livre, direto e secreto – ou seja, cada cidadão tem o direito de, por si mesmo, votar consciente e voluntariamente no candidato que desejar. Não devemos votar nos candidatos apresentados por quem quer que seja, mas sim naqueles que melhor se amoldam ao nosso modo de pensar.
É importante entendermos o significado de “instituição humana”. Esse termo não se refere apenas à figura de autoridade humana, como um juiz ou governador, mas a tudo aquilo que o homem cria com o objetivo de estabelecer a ordem dentro da sociedade. Aqui se incluem as leis, que são na verdade a autoridade natural mais elevada dentro de um estado democrático – no Brasil, a Constituição da República. São as leis que conferem autoridade aos cargos públicos; por isso, devemos entender que Deus nos chama para nos submetermos às leis brasileiras. Pedro afirma: “Sujeitai-vos a toda instituição humana por causa do Senhor”.
O cristão deve entender que a sua obediência às instituições humanas deve ser consequência do seu conhecimento do Senhor. O cristão que conhece o Senhor sabe que Deus é quem dirige toda a história; o mundo dos homens não é dirigido pelo acaso, por demônios ou pelo próprio homem. Ele sabe que o seu Senhor é Todo-Poderoso e por isso é Ele quem, de alguma maneira e segundo os seus propósitos eternos e providenciais, faz serem elaboradas as leis. Quanto às leis injustas e anti-cristãs, mesmo sendo uma reivindicação totalmente legítima e relevante, o cristão não deve reclamar, murmurar ou criticar as autoridades. Antes, deve colocar os seus olhos em Deus e descansar nEle, tendo a certeza que Deus não perdeu o controle da situação e que Ele certamente tem um propósito naquilo tudo. O Senhor é bondoso e não deseja o mal ao ser humano; assim, todas as suas atitudes são boas. Mesmo as instituições aparentemente más aos olhos do homem certamente vão, em algum tempo, expressar a bondade de Deus.
Essa realidade não é facilmente entendida pelas pessoas, mas temos como exemplo a história de José, filho de Jacó, que foi vendido como escravo ao Egito pelos próprios irmãos. Deus estava dirigindo a história, e José reconheceu isso quando afirmou: “Deus me enviou adiante de vós, para conservar a vossa sucessão na terra e para vos preservar a vida por um grande livramento. Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus” (Gn 45.7,8). Ainda que os padrões de bondade de Deus não sejam semelhantes aos do ser humano, o cristão que conhece ao Senhor pode descansar, reconhecendo que no final de tudo a bondade do Senhor vai se manifestar com clareza. Por isso, o cristão pode se sujeitar a toda instituição humana, porque ele sabe que acima dela está o Senhor e Ele é bom.
A Bíblia afirma que (...) há tempo para todo o propósito debaixo do céu (Ec 3.1). Não há acasos; Deus tem um propósito para cada acontecimento. Sendo assim, nós não podemos imaginar que Deus não tem propósitos para o sofrimento. Nem mesmo o sofrimento humano acontece por acaso.
1 – PROPÓSITOS DO SOFRIMENTO ENTRE OS ÍMPIOS
Manifestar o caráter santo de Deus
Salmo 107.17 – Esse texto afirma que os ímpios serão afligidos por causa dos seus pecados. As dores e as angústias sobrevêm aos incrédulos como conseqüência das suas transgressões. Há pessoas que vivem com o coração longe de Deus, se afundam nas suas iniqüidades e que, quando sofrem, perguntam-se: “Por que eu tenho sofrido tanto?” Deus, por causa de Sua própria santidade, além de abominar o pecado não pode ficar impassível diante de práticas pecaminosas. Assim, Ele age permitindo o sofrimento àqueles que vivem na prática do pecado.
Promover a prática da justiça
Is 26.9 – O sofrimento que Deus permite aos ímpios tem por objetivo levá-los a aprender a viver uma vida reta. Uma das maneiras de se levar uma pessoa ímpia a viver uma vida correta é aplicando-lhe uma penalidade. A manifestação da justiça de Deus tem um efeito saudável dentro da sociedade, pois as pessoas começam a andar em retidão pelo medo da “punição”.
2 – PROPÓSITOS DO SOFRIMENTO ENTRE OS CRISTÃOS
Levar o crente de volta ao caminho correto
Pv 3.11-12 – A dor é o “megafone” que Deus usa para fazer o “surdo” ouvir o que Ele tem a dizer. Quando estamos enfrentando dores e sofrimentos, devemos pedir a Deus para nos mostrar o caminho correto a seguir, para ajudar-nos em nossa conduta, fazendo-nos voltar para o caminho da retidão. Além do mais, é necessário compreender que esse tipo de ação permissiva de Deus (dor e sofrimento) não é sinal de que Ele nos abandonou. Pelo contrário, é sinal de que Ele nos ama, desejando nos levar a andar no melhor caminho: o caminho da vida.
Desenvolver uma capacidade de compaixão pelos outros
II Co 1.4-5 – Esse texto nos ensina algumas verdades acerca do sofrimento:
É Deus quem nos conforta no sofrimento – No mundo, nós, que somos cristãos, sempre vamos passar por tribulações (Jo 16.33). Todavia, com Deus esse estado de miséria é aliviado. Por essa razão, no verso 3 Deus é chamado de “o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação”. Deus está sempre disposto e é totalmente poderoso para nos consolar e nos confortar em nossos momentos de angústia e dor.
É Deus que nos capacita para confortar no sofrimento de outros – O sofrimento é uma excelente escola, onde aprendemos a consolar e confortar as pessoas da mesma maneira como Deus o faz. Nós, seres humanos, somos diferentes de Deus: Enquanto Ele conhece todas as coisas sem nunca as ter experimentado, nós só conseguimos aprender a fazer algo através da experiência. Nunca aprenderemos a confortar pessoas a menos que passemos pelo sofrimento e recebamos o conforto divino. Se o próprio Jesus teve de aprender a obedecer pelas coisas que sofreu, tendo de experimentar o sofrimento e a tentação para poder socorrer os que são tentados (Hb 2.8), quanto mais nós temos de aprender na prática sobre a consolação divina para podermos consolar os que estão sofrendo.
Deus enviou Cristo para que a nossa consolação transborde por meio dEle – Paulo também aprendeu a glorificar o merecedor de todas as graças que recebemos de Deus. Como recebemos a capacidade de consolar, temos de aprender a glorificar a Cristo, porque toda a nossa capacidade de confortar é transbordada por meio de Cristo.
Confirmar o valor da fé
1 Pe 1.6-7 – O sofrimento é um meio que Deus usa para fazer o crente crescer na sua fé.
Pedro diz que o sofrimento é comparado à ação do fogo – A ação do fogo é múltipla. Ele destrói, consome, aniquila; mas a Escritura cita o fogo aqui como um elemento purificador, um elemento que torna o objeto aprovado, aperfeiçoado, confirmado. O processo de confirmação de nossa vida em fé é comparado ao processo da depuração do ouro pelo fogo.
Pedro diz que a confirmação da fé vem por uma gama de sofrimentos – O fogo é sinônimo de sofrimento causado pelas provações: passamos por ele e por meio dele somos confirmados em nossa fé. Os destinatários da carta de Pedro estavam sendo provados com aflições. Não haveriam de sofrer por muito tempo, mas estavam sofrendo para que o valor da sua fé fosse confirmado. O sofrimento tem várias manifestações: Deus permite várias formas para causar crescimento no meio do seu povo. Por essa razão, Pedro diz que os crentes seriam contristados (entristecidos) “por várias provações”. Esse teste de fé está longe de ser uma experiência agradável.
Pedro diz que o sofrimento para a confirmação da fé vem quando necessário – Nem todos os cristãos que passaram pelo mundo experimentaram os sofrimentos dos quais Pedro falava. Por essa razão ele diz: “Nisso exultais, embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações (...)”. A conclusão que se pode tirar dessa passagem é que nem todos sofrem, porque não é necessário que haja crescimento ou confirmação da fé somente por meio do sofrimento. O sofrimento não é algo inevitável ou necessário.
Pedro diz que o sofrimento para a confirmação da fé não é longo – Mesmo que em certas ocasiões o sofrimento possa vir sobre os crentes, ele não permanece para sempre. Pedro diz que os crentes são contristados “por breve tempo”. O sofrimento é de duração limitada. Aliás, não podemos nos esquecer de que a duração curta da provação está em contraste com a alegria de que vamos desfrutar amanhã. Mesmo que o sofrimento dure a noite inteira, a alegria vem pela manhã.
Aperfeiçoar o caráter cristão
Rm 5.3-4 – Nesse texto, Paulo afirma que o sofrimento é um meio que Deus usa para aperfeiçoar o caráter dos cristãos. Mas, diferentemente da versão Revista e Atualizada da Sociedade Bíblica Brasileira, há outras versões da Bíblia que traduzem o texto de uma forma diferente. A palavra “tribulações” é traduzida como “sofrimentos”, “perseverança” é traduzida como “paciência” e “experiência” é traduzida como “caráter provado”. Assim:
Paulo diz que os sofrimentos produzem perseverança – Na língua grega, a palavra “perseverança” pode também ser traduzida por paciência, persistência, constância. Essas são algumas características que se apresentam no homem maduro, que se mantêm leal à sua fé e aos seus propósitos mesmo quando está debaixo das maiores tribulações ou sofrimentos. Em geral, não crescemos quando estamos em plena calmaria de problemas. Em todos os ramos, o desenvolvimento aparece em hora de crise ou sofrimento.
Paulo diz que a perseverança produz experiência – Essa é parte da reação em cadeia. Assim como os sofrimentos produzem a perseverança (ou paciência, ou constância, ou persistência), esta produz experiência. Na língua grega, a palavra “experiência” pode ser traduzida por “caráter provado”. A idéia é a de alguém que foi testado e saiu vitorioso no teste, tendo desenvolvido um caráter amadurecido pelos sofrimentos.
Paulo diz que a experiência produz esperança – O sofrimento do cristão o conduz à perseverança, à firmeza, à constância e à paciência porque eles são conectados à esperança. Há alguma coisa no final que os faz levantar os olhos e crer na mudança dos acontecimentos. Para o cristão, o sofrimento é o ponto em que o poder da esperança fica cada vez mais claro, ligando o nosso presente ao futuro de vitória, porque para o cristão “os sofrimentos do tempo presente na são para comparar com a glória a vir ser revelada em nós” (Rm 8.18).
Conclusão
Quando você estiver sofrendo pelas mais variadas razões, lembre-se de que você não é um desafortunado, mas um amado de Deus. Os sofrimentos pelos quais você tem passado são maneiras belamente estranhas de Deus fazer bem à sua vida.
- Ele tem levado você de volta ao caminho dele, que é o caminho da vida, endireitando as suas veredas tortuosas. Se Deus não lhe houvesse mostrado o seu amor disciplinador, onde você estaria ainda?
- Ele tem ensinado você a ter compaixão dos outros que sofrem.
- Ele tem confirmado o valor da sua fé, por meios das tribulações pelas quais você passa.
- Ele tem aperfeiçoado o seu caráter.
Antes de definirmos o que é graça comum, é importante adquirir algumas noções básicas acerca do pecado e da punição decorrente do mesmo. Olhando para a Bíblia, percebemos que ela afirma que “(...) o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Isso significa que todos que pecam devem receber a devida punição pelo pecado. Os anjos, por exemplo, foram imediatamente punidos depois que pecaram. Diz a Escritura que “(...) Deus não poupou anjos quando pecaram, antes, precipitando-os no inferno os entregou a abismos de trevas, reservando-os para juízo” (II Pe 2.4). Contudo, o que aconteceu com os anjos quando esses pecaram não aconteceu com os seres humanos. Vejamos o caso de Adão e Eva: eles pecaram e, apesar disso, não receberam a punição imediatamente (Gn 2.17). Nós também deveríamos, por causa de nossos pecados, ser imediatamente punidos; entretanto, ainda estamos vivos. Qual é a razão disso? O que leva Deus a não aplicar imediatamente a Sua justiça aos homens quando esses pecam? A “graça comum”. Graça comum é a parte do caráter de Deus que faz com que Ele dê a todas as pessoas, indistintamente, inumeráveis bênçãos. Exemplos de graça comum O domínio físico: Os incrédulos continuam a viver nesse mundo unicamente por causa da graça comum de Deus. Todos nós respiramos por causa da graça, porque o salário do pecado é a morte, não a vida. Além disso, a terra não produz somente cardos e abrolhos (Gn 3.18), nem permanece como um deserto ressecado, mas pela graça comum de Deus ela produz alimento e material para roupa e abrigo. Jesus disse: “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos de vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos” (Mt 5.44,45). De modo semelhante, Paulo declarou às pessoas de Listra: “(...) nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos; contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria”. (At 14.14-17). Além disso, vemos evidências da graça comum de Deus até na beleza do mundo natural. Embora a própria natureza esteja no “cativeiro da corrupção” e “sujeita à vaidade” (Rm 8.20,21) por causa da maldição da queda (Gn 3.17-19), ainda há formosura no mundo natural. A beleza das flores, dos gramados e florestas, dos rios, lagos, montanhas e praias ainda permanecem como um testemunho diário da incessante graça comum de Deus. O domínio intelectual: O pecado corrompeu os anjos caídos de maneira imediata e completa. Satanás, por exemplo, segundo a Bíblia, é “mentiroso e pai da mentira”. Ele é alguém em quem não há qualquer verdade (Jo 8.44). Mas o que acontece com os anjos caídos não acontece com os seres humanos. Mesmo incrédulos não são totalmente inclinados para a mentira, para a irracionalidade e para a ignorância; todas as pessoas conseguem compreender alguma medida de verdade, e certamente alguns têm grande inteligência e entendimento. Isso é resultado da graça comum de Deus. A Bíblia diz que Jesus é “a verdadeira luz que ilumina a todo homem” (Jo 1.9). Isso significa que, em sua função como Criador e sustentador do universo, Deus permite que iluminação e o entendimento cheguem a todas as pessoas do mundo. Isso explica, por exemplo, a capacidade que o homem possui de transmitir verdades científicas e construir, através do esforço comum, automóveis, telefones e outros inventos. O domínio moral: Deus também, por meio da graça comum, limita as pessoas para que não sejam tão más quanto poderiam ser. Se por um lado os demônios, por causa da corrupção do pecado, são totalmente devotados ao mal e à destruição, por outro lado ainda é possível distinguir algum tipo de bondade nos seres humanos. Na sociedade humana o mal é claramente controlado. Paulo fala sobre isso ao dizer: “Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem por natureza de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se” (Rm 2.14,15). O ser humano possui dentro de si uma consciência que ainda guarda padrões morais de comportamento. Por causa disso ele consegue, em diversas situações, discernir o certo do errado. O domínio criativo: Deus tem permitido medidas significativas de talento nas áreas artísticas e musicais, bem como em outras esferas nas quais a criatividade e o talento podem ser expressos, tais como atividades atléticas, arte culinária, literatura e assim por diante. Além disso, Deus nos dá capacidade para apreciar a beleza em muitas facetas da vida. O domínio social: A graça de Deus também é evidente na existência de várias organizações e estruturas na sociedade humana. Vemos isso primeiramente na família humana, atestada pelo fato de que Adão e Eva permaneceram como marido e mulher depois da queda e então tiveram descendentes, tanto filhos como filhas (Gn 5.4). Os filhos de Adão e Eva se casaram e formaram suas próprias famílias (Gn 4.16,17,19). Além disso, o governo humano também é resultado da graça comum. Paulo, falando sobre isso ao escrever aos romanos, afirma claramente que “(...) não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas” (Rm 13.1). Aplicação Devemos ser cautelosos para não rejeitar as coisas boas que os incrédulos fazem como se fossem totalmente más; A doutrina da graça comum deve conduzir o nosso coração a uma extrema gratidão a Deus: Quando passeamos pelos campos e observamos árvores floridas e lindas cachoeiras, quando experimentamos as maravilhas tecnológicas produzidas por cientistas, quando recebemos educação e também algum tipo de segurança do governo, devemos perceber que, no final das contas, Deus é quem nos tem abençoado, mesmo não merecendo tantas e incontáveis bênçãos.
Diante de tudo que vimos acerca da graça comum, é importante refletirmos e tomarmos algumas atitudes práticas:
Para que sejamos uma geração que marca na hora da conquista, é imprescindível que vivamos a verdadeira santidade. Ninguém, na história da igreja, fez grandes conquistas sem viver a verdadeira santidade.
Don Richardson foi um grande missionário do século XX. Numa das suas preleções, ele contou a história da conversão de um povo que vivia na Nova Guiné (um país que fica próximo à Austrália). Esse povo era conhecido como “Dunis”, e viviam, em pleno século XX, como se estivessem na Idade da Pedra. Eles jamais tinham tido qualquer contato com alguma pessoa civilizada, e portanto, nunca tinham tido contato com o evangelho. Uma característica dos “Dunis” que chamou a atenção dos missionários era que 90 a 95 por cento das pessoas daquele povo tinham menos do que cinco dedos nas mãos; alguns tinham apenas dois dedos na mão esquerda e três na direita. Aquilo intrigou os missionários, mas eles não obtiveram uma resposta para aquele fato até que morreu uma pessoa da tribo.
O ritual fúnebre praticado pelos Dunis era bastante singular. Os mortos não eram enterrados; eles eram colocados em uma grande mesa feita de pedras e ali eram queimados. Toda a família, desde o mais novo até o mais idoso, saía de diante da mesa de cremação e seguia em direção a uma mesa de madeira. Atrás dessa outra mesa ficava um membro da tribo com uma pedra bastante afiada nas mãos, e ali os membros da família do falecido estendiam uma das mãos, colocavam-na sobre a mesa e tinham uma das falanges do dedo cortada fora. Isso assustou os missionários, mas também os fez entender o porquê das pessoas terem menos de cinco dedos nas mãos: eles descobriram que essa prática se relacionava com a busca de Deus. Aquelas pessoas ansiavam por Deus, e imaginavam que Deus só se encontraria com elas depois de terem sofrido bastante. Por isso, sempre que possível, elas aumentavam seu próprio sofrimento.
Quantas pessoas não estão vivendo assim nos dias de hoje, buscando o sofrimento como um meio de se encontrarem com Deus, se esforçando em si mesmas para alcançarem a salvação e a santidade?
A santidade é obra da graça (Cl 2.6,7)
Paulo diz: Ora, como recebestes Cristo Jesus (…). Isso se deu quando aquelas pessoas ouviram e entenderam a graça de Deus (Cl 1.6), não mediante o esforço delas mesmas ou porque eram virtuosas, cheias de qualidades ou boas em si mesmas. Elas reconheceram que seus esforços, suas virtudes, suas boas obras e seus sofrimentos não acrescentavam nada para sua salvação; por isso, desistiram de tentar fazer alguma coisa e se entregaram completamente a Deus, mesmo vazias, derrotadas e frustradas consigo mesmas, porém confiantes de que se elas não puderam fazer nada para conquistar a salvação, Deus era poderoso para salvá-las. A salvação, portanto, caracteriza-se por um ato de entrega e de confiança no amor e na provisão de Deus. Só recebe a Cristo aquele que se esvazia de si mesmo, entregando-se completamente a Deus.
O texto continua, dizendo: Ora, como recebestes Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nele (…). Paulo fala aqui sobre dois processos que acontecem na vida do cristão: salvação e santificação. A salvação vem pela graça. E a santificação vem da mesma forma, segundo o texto. Portanto, é a graça de Deus que nos salva e nos santifica.
A verdadeira santidade
Como se expressa a verdadeira santidade? O apóstolo Paulo responde a essa pergunta de maneira muito didática. Primeiro, ele mostra como não se expressa a verdadeira santidade, e depois faz o oposto:
Cl 1.8: “Cuidado, que ninguém vos venha enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo”. Para entendermos melhor o que Paulo está querendo dizer, é importante entendermos o significado da palavra “filosofia”. Aqui, filosofia não diz respeito aos pensamentos que excluem Deus, nem a um curso universitário. Josefo, um historiador do tempo dos apóstolos, disse: “Existem três formas de filosofia entre os judeus: os seguidores da primeira escola são chamados fariseus, os da segunda, saduceus, e os da terceira, essênios”. Assim, “filosofia”, no texto, significa qualquer tipo de conhecimento acumulado sobre Deus ou sobre qualquer outro assunto. Segundo Paulo, a verdadeira santidade não é comprovada pelo conhecimento que uma pessoa consegue acumular. Os fariseus, por exemplo, tinham um vasto conhecimento sobre Deus, mas Jesus os chamou certa vez de filhos do diabo (Jo 8.44). É impossível que algum filho do diabo apresente santidade. O próprio diabo também conhece a Escritura, mas para ele está reservado o fogo do inferno.
Paulo faz ainda um segundo alerta:
Cl 2.16: “Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida ou bebida, ou dia de festa, ou lua nova ou sábados”. O alerta de Paulo é contra o engano promovido pela vida de devoção. Muitas pessoas imaginam-se vivendo a verdadeira santidade pelo fato de expressarem, com muita intensidade, o comportamento religioso. Nos tempos de Paulo, as pessoas imaginavam que a verdadeira santidade era evidenciada se a pessoa fizesse distinção entre alimentos e alimentos, ou se ela prezasse o comparecer a eventos religiosos. Os fariseus agiam dessa maneira, mas Jesus lhes disse: “Ai de vos, escribas e fariseus, hipócritas, porque fechais o reino dos céus diante dos homens; pois não entrais nem deixais entrar os que estão entrando! Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque rodeais o mar e a terra para fazer um prosélito; e, uma vez feito, o tornais filho do inferno duas vezes mais do que vós” (Mt 23.13,15). Mas ninguém é mais santo porque deixa de comer isso ou de beber aquilo, ou porque participa desse ou daquele evento.
Por fim, Paulo faz um último alerta:
Cl 2.18: “Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões”. Aqui, Paulo afirma que as experiências sobrenaturais ou místicas não são um sinal que comprova a verdadeira santidade. As pessoas ali estavam vendo e adorando anjos. Por imaginarem que Deus era inacessível, elas começaram a buscar ajuda e revelação de anjos, as tiveram. Miguel, o líder das hostes angelicais, era largamente adorado na Ásia Menor e a ele eram atribuídas muitas curas miraculosas. Com base nessas visões, muitos imaginavam-se espirituais, andando na verdadeira santidade. A essas pessoas Paulo diz não. Jesus mesmo chegou a afirmar: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos naquele dia hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então, lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade” (Mt 7.21-23).
Concluindo, Paulo diz: “Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria…todavia, não têm valor algum contra a sensualidade” (Cl 2.23). Apesar de parecerem sinais da verdadeira santidade, essas referidas práticas e expressões não conseguem refrear os impulsos da carne; antes, muito facilmente os promovem.
Os sinais que comprovam a verdadeira santidade
Cl 3.1-3: “Portanto, se fostes ressuscitados juntamente com Cristo, buscai as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus. Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra; porque morrestes, e a vossa vida está oculta juntamente com Cristo, em Deus”. Aqui, Paulo faz uma afirmação condicional. Ele diz que se as pessoas morreram em Cristo e com ele ressuscitaram, então necessariamente uma mudança se operou na vida delas. E essa mudança as leva a viver um novo estilo de vida, a que podemos chamar de santidade.
Cl 3.2: “Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra”.
O primeiro sinal da verdadeira santidade é o anseio pelas coisas celestiais. Aquele que nasceu de novo, que vive em santidade, anseia por Deus mais do que por todas as outras coisas. Contudo, o anseio por Deus é um aspecto subjetivo, que não pode ser medido muito facilmente. Por outro lado, o anseio por Deus leva a pessoa a tomar naturalmente duas atitudes práticas, que facilmente podem ser medidas.
Cl 3.5: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria”. A verdadeira santidade, além do anseio por Deus, se expressa por meio da morte do velho homem. Aqui, Paulo enumera cinco vícios da carne, que são destruídos pelo que é santo. O primeiro vício colocado nessa lista é a prostituição, que se refere à toda relação sexual ilegal e ilícita, e portanto envolve o adultério, a fornicação (o sexo antes do casamento), a bestialidade e outras formas de relação sexual que são anti-naturais e anti-bíblicas. Aquele que vive em santidade vai matando progressivamente esse vício em sua vida.
A seguir, o apóstolo Paulo fala da impureza. Aquele que vive em verdadeira santidade se esforça para deixar de lado os maus intentos do coração, os maus pensamentos e as inclinações da carne: a pornografia, os atos libidinosos e a masturbação.
Paulo continua a lista daquilo que o santo faz morrer. Ele faz morrer a paixão lasciva, o desejo maligno e a avareza. Paixão lasciva e desejo maligno têm praticamente o mesmo sentido, e significam todo tipo de desejo que não é voltado para Deus. Assim, aquele que tem os olhos voltados para as coisas materiais está alimentando desejos malignos no coração. Essa busca por admiração pode se dar até mesmo em relação a coisas espirituais. Há pessoas que oram não porque amam a Deus, mas sim porque desejam receber a admiração de outras pessoas, que as chamam de espirituais. O mesmo pode acontecer no tocante à leitura da Bíblia e ao jejum.
O último vício enumerado por Paulo é a avareza. Nesse texto, avareza não se restringe ao amor ao dinheiro; antes, abrange todo tipo de busca do bem pessoal por egoísmo. Portanto, tudo o que a pessoa faz pensando em si mesma e não em Deus é uma forma de egoísmo. Em outras palavras, ela se coloca no lugar de Deus e, portanto, promove a idolatria. Paulo diz que aquele que vive a verdadeira santidade dia após dia mata todos esses vícios. Ele não permanece na passividade, mas sempre busca a força que Jesus lhe pode dar.
Por fim, Paulo apresenta outro sinal que comprova a verdadeira santidade.
Cl 3.12: “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade”. A verdadeira santidade se expressa por meio do revestimento de Cristo. Aquele que é santo se torna, a cada dia, mais parecido com Jesus. Paulo enumera algumas das expressões da vida de Jesus. Ele diz que a verdadeira santidade se revela na misericórdia, na bondade, na humildade, na mansidão e na longanimidade.
A misericórdia aponta para a compaixão de um ser humano para com outro. Aquele que é misericordioso nunca é acusador e nem crítico; antes, ele se oferece para ajudar e auxiliar aquele que está em situação de miséria. Por isso, ele é também bondoso.
Sem dúvida, a bondade é um reflexo da humildade que existe no coração daquele que é santo. Ele sabe que o seu coração é enganoso, e que ele não é melhor do que qualquer outra pessoa. Antes, ele reconhece que é Deus quem o sustenta; por isso, ele também é uma pessoa mansa.
A mansidão é uma característica na vida daqueles que reconhecem que suas vidas estão inteiramente nas mãos de Deus. Eles sabem que se algo não aconteceu do modo como eles esperavam, eles não devem se desanimar ou murmurar; antes, devem confiar em Deus, que faz todas as coisas de modo perfeito. Naturalmente, a mansidão conduz à longanimidade.
Aquele que é verdadeiramente santo é paciente. Ele sabe que Deus vai fazer as coisas no tempo certo; por isso, ele descansa em Deus.
Todas essas expressões existiam na vida de Jesus. Aquele que anda na verdadeira santidade as possui na sua vida, e a cada dia ele se torna mais parecido com Jesus.
Várias respostas são dadas a esse questionamento:
- Jesus morreu para dar exemplo aos judeus de como deveriam se comportar frente ao Império Romano – ou seja, a morte de Jesus foi a consumação de um mero exemplo de vida abnegada, altruísta e eticamente correta aos olhos da sociedade;
- Jesus morreu para derrotar o diabo. Com Sua morte, Ele desceu ao inferno, enfrentou o diabo, o derrotou e tomou de suas mãos as vidas das pessoas;
- Jesus morreu apenas para pagar os pecados dos homens. Como o homem pecou e o salário do pecado é a morte, o homem deveria morrer eternamente. Entretanto, Jesus subiu à cruz e tomou sobre si o salário que deveria recair sobre o homem, a saber, a morte.
Entretanto, olhando para o texto que fala sobre a ceia, percebemos que Jesus morreu por um motivo ainda mais sublime, muito além de apenas destruir o poder do diabo sobre as pessoas ou sofrer em si mesmo a condenação do pecado do homem. Sobretudo, Jesus morreu para formar um povo que verdadeiramente viva em unidade. Jesus morreu porque os homens estavam divididos, presos aos seus próprios egoísmos e buscando os seus interesses individuais. Então, para formar um povo diferente e que viva em real unidade, Jesus entregou Sua vida.
Esse é o argumento exposto por Paulo em I Coríntios 11.17-34. Nesse texto, ao falar da Ceia do Senhor, Paulo a coloca dentro do contexto da unidade. A Ceia foi instituída para que, dentre outras coisas, as pessoas se lembrassem de que Jesus morreu por elas para que juntas fossem um só povo; para que, de todos os povos e gentes, nações e etnias, línguas e costumes, um único povo que ande em unidade fosse formado.
Mas qual é o contexto da passagem acima citada? O que estava acontecendo para que Paulo escrevesse esse texto?
Segundo Paulo (v.17), as reuniões e cultos dos coríntios não estavam sendo nada proveitosas. Eles não se ajuntavam para aquilo que era útil, mas sim para o que era inútil. Elas não edificavam, mas sim, destruíam. Ao invés de trazerem bênção, as reuniões estavam trazendo maldição sobre as pessoas que participavam. Logo em seguida (v.18), Paulo apresenta o motivo pelo qual aquelas reuniões não edificavam. O problema girava primeiramente em torno das divisões que existiam dentro da igreja (I Co 1.10-12). Segundo Paulo, aquela existência de partidos e de opiniões diversas, em última análise, era boa porque no meio daquelas contendas e rixas ficava evidenciado quem de fato pertencia a Deus, e quem não pertencia; quem era aprovado e quem não era.
Aprovado (Dokimos) = Aquele que passa pelo teste de fogo e é aprovado.
Depois de apresentar o motivo primeiro pelo qual aquelas reuniões não eram abençoadas, e também depois de uma breve reflexão sobre os aprovados, Paulo se volta para o motivo específico pelo qual aqueles ajuntamentos não eram para melhor, e então ele fala da ceia do Senhor (v.20). Ele diz que as pessoas que estavam ali se reunindo imaginavam que iriam participar da ceia do Senhor. De fato, os elementos da ceia até mesmo se achavam presentes, o pão e o vinho. Contudo, apesar de toda aquela preparação, de maneira alguma, afirmava Paulo, as pessoas se reuniam para a ceia do Senhor – aquela ceia não pertencia a Jesus (v.21).
Naquele tempo, como revela o texto de Judas 12 e também testemunham os pais da igreja, a ceia do Senhor acontecia em meio a uma festa em que cada um dos participantes levava comida. Nessas refeições comuns, os ricos a traziam e a compartilhavam com os pobres, assentando-se com eles em uma mesa comum. Contudo, tudo indica que essa festa começou a sofrer corrupção. Os ricos já não mais esperavam pelos mais pobres, que por serem em sua maioria escravos, não tinham como chegar antecipadamente, e comiam toda a refeição que traziam. Como se isso não bastasse, os ricos bebiam em demasiado até a embriaguez, enquanto os pobres passavam fome. Isso era uma evidente demonstração de egoísmo e soberba – as pessoas disputavam para verificar quem era melhor, mais rico ou mais “abençoado”.
Hoje vemos em muitas igrejas atitudes semelhantes: desfiles de moda – as roupas mais caras, as jóias mais sofisticadas; “concurso” de carros; e ainda qualquer tipo de ostentação que venha a gerar comparação e divisão. Isso gera ressentimentos, mágoas, discórdias e disputas. Paulo, então (v.22), os repreende e afirma que não os louvava nisso. Eles estavam acertando em algumas coisas (I Co 11.2), mas erravam ao proceder para a ceia. Depois (vv 23-26), Paulo explica por que Cristo morreu (a conjugação dos verbos e os pronomes estão no plural).
É impossível tomar a ceia sozinho; a ceia é um momento para a igreja. Podemos fazer muitas coisas sozinhos: orar, ler a Bíblia e jejuar. Mas a ceia anuncia a finalidade da morte de Jesus (Ef 2.11-16). Finalmente, Paulo compartilha conosco vários alertas:
(vv 27-32) Indignamente réu – tornar-se culpado de derramar o sangue de Cristo. Isso significa colocar-se não do lado dos que estão participando dos benefícios da paixão, e, sim, ao lado dos que foram culpados por sua crucificação;
(v.29) O Julgamento;
(v. 30) O castigo.
Com certeza muitos de nós já paramos para pensar na finalidade da vida. Entretanto, ainda que você nunca tenhamos analisado esse assunto como filósofos, vivemos de acordo com certas formas de pensamento e nossas atitudes revelam qual é a filosofia que seguimos. Sendo assim, nossas atitudes mostram qual é o nosso pensamento sobre a finalidade da vida.
Por exemplo, se alguém concentra todos os seus esforços nos estudos e tem a meta de alcançar graus cada vez maiores dentro da academia, então a sua filosofia diz que o estudo é a finalidade da sua vida. O mesmo podemos dizer sobre pessoas que se dedicam dessa forma ao trabalho, ao prazer ou às riquezas. Ainda que essas pessoas digam que a finalidade de suas vidas é “conhecer a Deus e se alegrar dEle”, são as suas atitudes que vão revelar se essa finalidade é verdadeira.
Essas são as perguntas que o livro de Eclesiastes busca responder. E ele as responde não teoricamente, mas a partir de experiências. Em cada etapa da vida, ele busca viver de uma maneira e tenta se concentrar em um aspecto da vida, verificando se aquele deve ser o seu objetivo último ou se aquela maneira de viver irá lhe trazer algum proveito ou vantagem.
Eclesiastes 1.16-18 – ele estabelece como finalidade da vida a busca pelo conhecimento, e busca saber o que é a sabedoria, o que é a loucura e o que é a estultícia.
- Sabedoria (acadêmica): saber muitas coisas sobre tudo o que existe: guerra, paz, política, economia, agricultura, veículos, armas, medicina;
- Loucura: o agir daquele que está internado em clínicas psiquiátricas, comportamentos anormais;
- Estultícia: imprudência, inconseqüência em ações, egoísmo, escassez moral e espiritual.
Ao final, ele reconhece que a busca pelo conhecimento não traz proveito. Antes, se alguém tem como finalidade da vida o conhecimento, esse corre atrás do vento, vivendo uma vida fútil e totalmente nula.
Eclasiastes 2.1-10 – ele estabelece como finalidade da vida a busca pelo prazer, e decidiu não se negar de coisa alguma que os seus olhos desejassem. Ele se entregou ao vinho (v.3) como fonte de prazer, além de bebidas, drogas e tudo o mais que pode afetar o sistema nervoso. Ele se entregou ainda ao trabalho (vv.4-6), à busca por riquezas (vv.7-8a) e à satisfação dos sentidos (vv.8b) como fontes de prazer. No entanto, no versículo 11 ele conclui que a busca pelo prazer é perda de tempo, é coisa fútil e absurda.
Se alguém dedicar a sua vida para encontrar essas coisas vai encontrar uma vida vazia, e que no final vai levar somente ao desespero. Nada disso consegue trazer sustentação ou esperança à vida.
No decorrer do livro de Eclesiastes o autor reflete sobre o aprendizado com as experiências, compartilhando conosco conclusões imediatas ao tempo de reflexão. Ao final, ele diz:
Eclesiastes 12.1 – “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos em que dirás: Não tenho prazer neles”.
Lembrar significa não apenas uma ação mental, mas também implica em agir em concordância com o pensamento. A finalidade da vida é, portanto, pensar em Deus, estabelece-lo como o alvo da vida e agir para alcançar esse alvo. Enquanto todas as demais buscas resultam em nada, essa busca prepara a pessoa para encontrar-se definitivamente com Deus (Ec 12.7,14).
Agência DT
Os males físicos não têm, necessariamente, a ver com as pessoas que sofrem por causa deles, e nem sempre têm conexão direta com a prática dos males morais. Há muitos incrédulos que duvidam da existência de Deus por causa da presença dos males físicos. Os males físicos abrangem toda a criação. A partir da análise de Gênesis 3.17-18, percebemos que os males físicos vieram ao mundo por causa do pecado de Adão. Como coroa da criação, o homem também foi colocado como cabeça da mesma. Por ter sido considerado por Deus responsável pela criação, o ato do homem refletiu sobre toda ela. Assim, os males físicos abrangem os animais, vegetais e seres humanos. Aplicação - O caso de Manassés – II Cr 33.2-11. - O caso de Paulo – II Co 12.7-10. - As aflições são um verdadeiro professor – Sl 119.71. - As aflições servem para mostrar os problemas espirituais – Jó 36.8-10. - As aflições são um instrumento para o arrependimento – Sl 107.10-14. - As aflições nos tornam bem-aventurados – Jó 5.17. - As aflições nos preparam para a glória – II Co 4.17.
Origem dos males físicos
No Antigo Testamento, a palavra usada para “mal” pode referir-se aos males físicos que se evidenciam em doenças, pestes, calamidades ou destruição de vidas por meio de forças da natureza, como furacão, chuvas ou terremotos. Pode-se dizer ainda que os males físicos sobre toda a criação e sobre os homens procedem da justiça retribuidora de Deus, que se irou contra o pecado de suas criaturas. Em Gênesis 1.31, percebe-se que, no início, tudo era bom; mas por causa da prática de males morais por parte do homem os males físicos vieram a existir como uma imposição penal. Deus amaldiçoou a terra, o homem, a mulher e os animais por causa da transgressão moral de nossos primeiros pais, que eram nossos representantes.
Observando o texto de Lucas 13.1-5, podemos tirar algumas conclusões:
-Jesus ensina nessa passagem que a morte é sempre um castigo merecido. Ninguém é inocente.
-A morte de alguns não significa que eles sejam mais merecedores do que outros. Somente a misericórdia divina é que impede que todos igualmente morram pelos mesmos meios.
- As imposições penais de Deus servem para nos advertir. Não devemos nos concentrar nos instrumentos que Deus usa para matar os merecedores, mas sim, na advertência que os métodos de Deus devem nos trazer, a fim de que abandonemos os nossos pecados. Os desastres e as calamidades sempre servem de advertência para os pecadores. Quando eles acontecem, todos ficam apavorados e temerosos de que o mesmo possa vir a acontecer com eles.
Abrangência dos males físicos
Os males físicos vieram primeiramente como conseqüência da justiça punitiva, que teve uma expressão parcial (em contraste com o juízo final) e será mantida em toda a criação até que a redenção conquistada por Jesus Cristo se complete no dia final.
A pobreza
Muitas pessoas sofrem os males físicos da pobreza por causa da infelicidade que as enfermidades trazem, levando-os a gastar todos os seus recursos em tratamentos.
Pobreza por infortúnio – A pobreza por infortúnio se mostra nas grandes calamidades, como o excesso de chuva, por exemplo. Os pobres acabam se tornando mais pobres ainda, porque perdem os seus barracos, o pouco que acumularam, e não têm como reaver os seus bens. Finalmente, a pobreza por infortúnio vem quando as pessoas ficam desamparadas pela morte daqueles que as sustentam. Deus tomou providências para minimizar essa pobreza. Ele ditou leis que ajudavam os pobres (Dt 15.11; Dt 24.19-22.) Por isso, o homem jamais deve escarnecer daquele que está passando por uma situação de infortúnio (Pv 17.5).
Pobreza por causa da opressão – Essa é a pobreza mais mencionada e mais fortemente condenada nas Escrituras: a pobreza que é produto da exploração do fraco pelo forte. O texto de Provérbios 13.23 fala da opressão pela qual passam os trabalhadores. A Bíblia condena ainda os latifundiários (Is 5.8) e diz que existe uma cadeia de explorações sem conta (Ec 5.1,2).
Pobreza por causa da preguiça
Pobreza por causa da ignorância espiritual – Os maiores bolsões de pobreza de nosso país estão localizados em regiões onde há maior ignorância espiritual.
Pobreza por causa da imprudência – Observar a parábola do filho pródigo (Lc 15.11-16).
Pobreza por causa dos vícios sociais – O texto de Provérbios 23.20,21 mostra como o beberrão e o comilão caem na pobreza.
Podemos ainda citar as guerras, as doenças (como resultado das guerras – Lc 21.10,11 – da fome e da ira divina – Jr 21.7-10; Ez 12.16) e a morte como conseqüência do pecado (A análise do Salmo 90.7-11 mostra que os pecados dos homens estão diante de Deus – vv. 8 e 9a. Assim, eles são punidos pela ira divina – v. 7 – mesmo desconhecendo seu poder – v. 11 – e têm a vida abreviada por causa desses pecados – vv. 9b e 10).
Procedência dos males físicos
Causados por seres espirituais – Veja o exemplo na vida de Jó – as conseqüências dos ataques de Satanás foram a morte (seus animais e filhos), a doença (do próprio Jó), os males sociais (Jó foi rejeitado pela sociedade – 17.6; 19.13-22) e os males espirituais (sua mulher se tornou incrédula e desleal a Deus – 2.9,10). Temos ainda o exemplo da vida de Saul, que está registrado no texto de I Samuel 16.14-16,23. Finalmente, veja o exemplo da vida da mulher possessa descrito em Lucas 13.10-17.
Causados por imputação – A princípio, veja o exemplo de Acã em Josué 7.13. Temos ainda o exemplo de Amaleque. Por causa do pecado dele, que se opôs a Israel, que descia do Egito, todo o povo amalequita, acabou sofrendo males físicos, que incluíam a morte (I Sm 15.2,3). Vejamos ainda o caso de Davi: toda a sua posteridade sofreu males físicos decorrentes de seu pecado (II Sm 12.10).
Causados pelos próprios pecados – Temos o exemplo de Miriã e Arão, descrito em Números 12.10-11. Veja ainda o exemplo do homem que estava paralítico havia 38 anos (Jo 5.14).
Causados por maus governantes – Há vários textos da Bíblia que comprovam isso: Jz 21.25; Pv 28.16; Pv 29.4.
Causados imediatamente por Deus – Há textos que mostram que os males físicos podem proceder diretamente de Deus, sem que ele use instrumentos ou meios para isso: Jô 5.17,18; Os 6.1; Am 3.6. Deus é o causador de males físicos que têm funções terapêuticas, mas Ele também pode causar doenças com funções punitivas.
Propósitos dos males físicos
Manifestar a glória de Deus – Isso pode ser visto, por exemplo, no texto de João 9.1-3. A enfermidade em si mesma não é uma coisa boa, mas o que Deus faz por meio das enfermidades é. O mesmo propósito pode ser visto no texto de João 11.3, que fala da enfermidade de Lázaro.
Advertir-nos a não praticar males morais – Deus pode usar dores de doenças para nos advertir a não praticar males morais. Elas são uma espécie de despertador divino para nos prevenir e chamar nossa atenção para nosso procedimento (Sl 119.71).
Purificar nossa vida – Jô sofreu muitas dores físicas que estavam ligadas a advertências morais, mas o principal benefício das dores foi a purificação de sua vida espiritual (Jó 23.10). É importante lembrar que a base da nossa purificação vem pelo sangue de Cristo, mas os males físicos são instrumentos de Deus para o nosso aperfeiçoamento.
Exercer a disciplina divina – Os males físicos que vêm ao povo de Deus podem ter uma finalidade terapêutica.
Exercitar nossa paciência – Ver o texto de Romanos 12.12.
APRENDA A VER COMO AS AFLIÇÕES SEMPRE COOPERAM PARA O BEM PESSOAL E DO REINO DE DEUS
“Dom é atributo especial, dado pelo Espírito Santo, a cada membro do corpo, de acordo com a graça de Deus, para uso no contexto do corpo”
A quem é dado um dom espiritual?
A cada um de nós foi dada a graça conforme a medida do Dom de Cristo (Efésios 4:7).
Para quê nos é dado um dom?
Para servir. “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1 Pedro 4:10).
Quando recebemos os dons?
Uma pessoa recebe os dons espirituais quando se torna um crente, quando nasce de novo. Pode reconhecê-lo imediatamente ou muito mais tarde. O dom espiritual não é um fim em si mesmo, mas um meio pelo qual o amor de Cristo vai ser manifesto através do crente, que se torna um “canal” para o bem de outros e para glória de Deus.
Quais os benefícios do crente descobrir, desenvolver e exercer seus dons na igreja?
- O corpo funciona melhor, pois cada membro saberá seu lugar no corpo (Ef 2:10; 1Co 12:12-27).
- Haverá harmonia, e todos poderão trabalhar juntos em amor, sem ciúmes, inveja, orgulho ou falsa modéstia (Rm 12:3).
- Edificação: haverá desenvolvimento espiritual e de caráter; conseqüentemente o membro servirá melhor (Ef 4:16).
- Deus será glorificado (1Pe 4:10,11).
Como o dom espiritual afeta o portador?
O exercício do dom traz alegria e satisfação, e ele se sente liberto e seguro em ser ele mesmo (auto-aceitação).
Como o reconhecimento mútuo dos dons afeta o relacionamento interpessoal?
“Quando um crente reconhece que Deus opera de uma maneira toda especial através de cada membro do corpo, então ele terá mais consideração e nutrirá um amor mais sincero para com os outros crentes. Isso o ajudará a entender também o modo de pensar e agir das outras pessoas. O reconhecimento mútuo dos dons espirituais (pessoais) promove coordenação e unidade entre os membros do corpo de Cristo” (Larry Coy).
Como descobrir meu dom espiritual?
Podemos descobrir nossos dons mediante certas evidências:
- Nossa motivação básica. O dom está ligado diretamente a uma motivação depois da conversão. Revela-se no que realmente gostamos de fazer. Nessa atividade nos sentimos felizes e realizados.
- O dom também está realizado no que realizamos por completo, o que fazemos até o fim sem esmorecer. Em situação favorável a tarefa será cumprida.
Como diferenciar Dom espiritual de talentos naturais?
No dom espiritual sentimos a ação do Espírito Santo. Sentimos, ao realizar aquilo que é dom, que as forças não são nossas e por isso não nos enfadamos ou desanimamos; percebemos que é Deus quem está agindo e que nada poderíamos fazer sem Ele.
Os dons de Deus podem ser tirados?
Os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis (Rm 11:29). Porém, quando o crente está em pecado ou em rebeldia, ele não conseguirá desenvolver o seu dom. Ele pode continuar fazendo tudo na obra, menos usar com eficácia o poder de Deus. O dom sem unção é apenas uma habilidade que não produz vida. Os dons de Deus são reconhecidos em nós por nossos irmãos, que são edificados através deles. Ninguém vai ser edificado apenas por habilidades.
OS DONS DENTRO DA IGREJA
Os líderes são um dom de Cristo para a igreja dele (Ef 4:11)
- Apóstolos
- Profetas
- Evangelistas
- Pastores
- Mestres
Considerações:
- Os dons são distribuídos pela vontade do Espírito Santo (1Co 12:11);
- O dom é dado para proveito comum(1Co 12:7);
- Não devemos ter ciúmes dos outros irmãos(1Co 12:14-25);
- A cada um foi dado dons diferentes (1Co 12: 28-30);
- Os membros tem dons para exercer o trabalho de Cristo(1Co 12:1-31);
O fim dos dons (Ef 4:12-14)
- O aperfeiçoamento dos santos;
- Para a obra do ministério;
- Para edificação do corpo de Cristo;
- Para chegar a unidade da fé(Ef 4:13);
- Para chegar ao conhecimento do filho de Deus;
- Para chegar à estatura de varão perfeito.